Um dos destinos de férias mais procurados pelos britânicos voltou a ser palco de uma manifestação contra o turismo de massas. Cerca de 2.000 pessoas saíram às ruas e uma das mensagens dirigidas aos visitantes recuperou uma provocação relacionada com o Mundial de futebol.
A manifestação realizou-se este sábado, 8 de agosto, em Sóller, na ilha espanhola de Maiorca, e voltou a mostrar o descontentamento de parte da população local com o atual modelo turístico.
Segundo o jornal britânico The Sun, cerca de 2.000 manifestantes participaram no protesto, que começou pelas 10:00 e percorreu as ruas desta conhecida localidade da Serra de Tramuntana.
“A única coisa que vai voltar para casa és tu”
Entre as várias mensagens exibidas durante a manifestação, uma destacou-se particularmente na imprensa britânica.
Depois de a Inglaterra ter sido eliminada pela Argentina nas meias-finais do Mundial, os manifestantes recuperaram a conhecida expressão inglesa associada ao futebol, “It’s coming home”, para deixar uma provocação aos visitantes.
“The Only Thing Coming Home Is You”, podia ler-se numa faixa, expressão que pode ser traduzida como “A única coisa que vai voltar para casa és tu”.
A mesma mensagem já tinha surgido anteriormente durante uma manifestação contra o turismo em Palma, capital de Maiorca.
“Sóller chegou ao limite”
Não foi a única frase que marcou o protesto. À frente da manifestação seguia uma grande faixa com a mensagem “Sóller al límit”, ou seja, “Sóller chegou ao limite”.
Outro dos cartazes apontava diretamente para a crise da habitação: “Chega de segundas habitações enquanto os locais não conseguem pagar uma”.
Também foi possível encontrar a mensagem “Welcome to Majorca. And where do we live?”, ou, em português, “Bem-vindos a Maiorca. E nós, onde vivemos?”.
Organização diz que protesto não é contra turistas
Apesar de algumas das mensagens dirigidas aos visitantes, os organizadores insistem que o objetivo não é atacar quem escolhe Maiorca para passar férias.
A manifestação foi liderada pela plataforma Menys Turisme, Més Vida, que defende uma redução da dependência económica do turismo, contando também com a participação do Moviment Jove de Sóller.
Antes da marcha, os responsáveis garantiram que a iniciativa não era contra turistas ou visitantes, mas contra aquilo que classificam como um modelo económico insustentável.
Preço das casas está no centro da contestação
Entre as principais preocupações encontram-se os preços elevados da habitação e a dificuldade dos residentes em encontrar casas a valores compatíveis com os rendimentos locais.
Os manifestantes apontam ainda para o crescimento dos alojamentos destinados a férias, a compra de segundas habitações e a especulação imobiliária.
Transportes públicos sobrelotados, dificuldades de estacionamento e pressão sobre os serviços e espaços públicos fazem igualmente parte das críticas.
Mercado de sábado também foi afetado
A dimensão da manifestação obrigou a alterações no centro de Sóller, precisamente num sábado, tradicionalmente um dos dias de maior movimento na localidade.
Os estabelecimentos situados no percurso foram instruídos a retirar esplanadas e estruturas colocadas no exterior entre as 10:00 e as 14:00, por razões de segurança.
A medida coincidiu com o habitual mercado de sábado, que atrai residentes e numerosos turistas ao centro da localidade.
Mais de 25 mil já tinham protestado em Palma
O protesto surge poucas semanas depois de uma manifestação de dimensão muito superior realizada em Palma.
Mais de 25 mil pessoas terão participado nessa concentração, durante a qual foram ouvidas expressões como “turistas para casa”, “turismo = destruição”, “salvem Maiorca” e “menos turismo, mais vida”.
A manifestação terminou com momentos de tensão e confrontos entre alguns participantes e a polícia de intervenção. Segundo as informações divulgadas, sete pessoas ficaram feridas, duas delas com gravidade.
Protestos repetem-se pelo terceiro verão
Este é já o terceiro verão consecutivo marcado por grandes manifestações contra o turismo de massas em Maiorca.
Nos últimos anos, algumas ações ganharam repercussão internacional depois de turistas terem sido atingidos com pistolas de água e de visitantes terem sido confrontados em zonas particularmente movimentadas.
No início de agosto, cerca de 10 mil ativistas terão ainda formado uma corrente humana para bloquear o acesso à zona de Es Trenc, uma das paisagens naturais mais conhecidas da ilha.
Ativistas dizem que Maiorca está “no limite”
Para os movimentos envolvidos nos protestos, a pressão continuará enquanto não forem tomadas medidas estruturais.
“Maiorca está no limite”, alertaram os ativistas citados pela imprensa britânica, antecipando um novo aumento do número de visitantes e defendendo que apenas uma mobilização social continuada poderá provocar mudanças.
Habitação, território, serviços públicos, condições de trabalho e preservação da cultura local estão entre as principais reivindicações apresentadas.
Apesar de Maiorca continuar a receber milhões de visitantes e de os organizadores afirmarem que a contestação não é dirigida individualmente, as manifestações revelam tensão entre residentes e turistas britânicos e levantam debate sobre o futuro sustentável deste destino turístico.















