A aldeia de Alte, no concelho de Loulé, é conhecida pelas suas fontes e pela ribeira que atravessa a aldeia, mas a água também esteve na origem de um conflito na década de 1950. Uma reportagem do Público, publicada em junho de 2019, recorda uma disputa pela posse e pelo controlo da água que ficou registada numa ata de 1956.
Segundo essa reportagem, António Martins, então presidente da Junta de Freguesia de Alte, evocou o conflito com os herdeiros do morgado de Alte. O autarca comparava-o com outra controvérsia sobre a utilização da água da ribeira que estava a decorrer em 2019. São episódios distintos, separados por mais de seis décadas.
Disputa pela fonte ficou registada em ata
“A fonte grande é uma fonte do domínio público desde há séculos”, lê-se no excerto da ata de uma sessão extraordinária da autarquia, realizada em 21 de julho de 1956, citado pela mesma fonte. A reportagem refere ainda a participação do regedor da freguesia, António Gomes Cravinho, como mediador.
A importância da água na aldeia permanece visível. O Turismo de Portugal destaca, no percurso entre a Fonte Pequena, a Fonte Grande e a Queda do Vigário, a distribuição da água da ribeira por levadas, açudes e azenhas. Estes elementos mostram uma utilização que vai além do lazer e da paisagem.
Nascentes alimentam a ribeira e a piscina natural
A relação entre as fontes e o curso de água está também descrita num trabalho académico da Universidade do Algarve. No folheto Nascentes do Algarve Central, integrado na dissertação de mestrado de Sílvia Alexandra Lourenço Gago, de 2007, explica-se que a Fonte Grande e a Fonte Pequena alimentam a Ribeira de Alte, que se junta à Ribeira do Algibre para formar a Ribeira de Quarteira.
Décadas depois do conflito, o espaço da Fonte Grande inclui uma piscina natural alimentada pelas nascentes, parques de merendas, lavadouro tradicional, instalações sanitárias e anfiteatro, conforme descreve o regulamento da freguesia.
A água tornou-se também um recurso recreativo e um elemento de atração para quem procura o interior algarvio. A própria Junta de Freguesia apresenta a piscina natural, os açudes e a cascata entre os motivos de visita à aldeia.
Piscina tem regulamento publicado este ano
O Regulamento n.º 307/2026, publicado no Diário da República a 26 de março, estabelece o funcionamento da piscina entre 15 de junho e 15 de setembro. A Junta pode alterar as datas, com aviso prévio, por razões que o justifiquem.
Entre 16 de setembro e 14 de junho, o regulamento prevê o encerramento da piscina. Assim, à data de hoje, o calendário já se encontra fora da época de funcionamento, salvo alteração anunciada pela autarquia.
Durante a época especial, está prevista vigilância por funcionários da Junta, das 10 às 18 h, exceto se o posto não for preenchido por falta de candidatos.
O documento proíbe entrar ou tomar banho no perímetro protegido da nascente, lavar roupa e utilizar produtos de higiene nas águas da piscina, da nascente ou da ribeira. A zona de banhos não se confunde, portanto, com o espaço protegido onde a água emerge.
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