O Algarve teve 35 praias particularmente afetadas pelas sucessivas tempestades registadas durante o inverno, que provocaram sobretudo instabilidade nas arribas e recuo do areal, segundo um relatório da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
“Na área de intervenção da ARH [Administração da Região Hidrográfica] Algarve, as principais ocorrências traduziram-se na ocorrência pontual de danos ao nível dos passadiços de acesso à praia e em apoios de praia, e recuo da linha e costa”, resume a APA na parte dedicada à região sul de Portugal continental de um relatório técnico apresentado na quarta-feira.
O documento com a “síntese das ocorrências na faixa costeira de Portugal continental” indica que os prejuízos estimados no litoral do país ascendem a cerca de 27 milhões de euros, sendo necessária uma intervenção “no imediato”, à qual se somam outras ações de carácter “mais estruturante no curto e médio prazo”.
Segundo o levantamento realizado pela APA, 35 praias do Algarve foram as mais atingidas pelas tempestades sucessivas, destacando-se os concelhos de Albufeira, com nove praias identificadas, e Lagoa, com oito.
Monitorização revela recuos significativos do areal
O relatório apresenta também dados da monitorização realizada no âmbito do programa Cosmos, que inclui levantamentos de “caráter extraordinário” sobre o recuo do areal em praias, efetuados entre maio e junho de 2025 e fevereiro deste ano.
Estas medições foram realizadas em zonas consideradas críticas “devido à sua tendência erosiva de médio longo prazo e ao risco potencial associado”.
O caso mais preocupante no sul do país foi registado na praia do Peneco, em Albufeira, onde se verificou um recuo máximo da berma da praia de 24 metros.
Outras situações assinaladas incluem um recuo máximo local de 15 metros na praia de Loulé Velho–Trafal, 14 metros na praia de Quarteira-Garrão (Loulé) e seis metros na praia do Forte Novo, também no concelho de Loulé.
Governo prevê intervenções antes da época balnear
No início de março, durante uma visita ao Algarve, a ministra do Ambiente afirmou que será necessária uma reprogramação dos investimentos previstos para o litoral devido aos danos provocados pelas tempestades, garantindo, contudo, que as intervenções mais urgentes serão realizadas antes do verão.
De acordo com Maria da Graça Carvalho, para a próxima época balnear estão previstas apenas as obras consideradas urgentes e que “são imprescindíveis para o verão”, como a recolocação de passadiços e outras estruturas destruídas, intervenções que serão financiadas através do Fundo Ambiental.
As restantes obras deverão avançar apenas no próximo ano, através de uma candidatura mais detalhada ao Programa Sustentável 2030.
Estabilização das arribas considerada prioridade
Segundo a ministra, o objetivo é que as situações mais urgentes nas praias afetadas pelo mau tempo estejam resolvidas até maio, permitindo que os visitantes possam voltar a usufruir das praias antes do início da época balnear.
Na mesma visita, a governante afirmou que a estabilização das arribas constitui uma prioridade “superurgente” do Governo, tendo em conta o agravamento da erosão provocado pelas recentes tempestades.
Maria da Graça Carvalho sublinhou ainda que o Algarve é a região onde “há mais problemas com as arribas e os casos mais complicados”, resultado das fortes tempestades marítimas, chuvas intensas e ventos fortes que atingiram o país nas últimas semanas.
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