Portugal é um país pequeno, mas são necessários os dedos de muitas mãos para contar o número de pontes que se encontram espalhadas por todo o país. Umas são mais modernas, outras preservam o passo histórico de Portugal, mas o que é certo é que a ponte mais antiga do país está na região norte e remete-nos para os tempos dos romanos.
Uma ponte que atravessa gerações
Chaves, cidade situada no Alto Tâmega e integrada no distrito de Vila Real, destaca-se não só pela sua beleza natural mas também pelo seu vasto património histórico. Quem visita esta cidade raiana encontra atrações que testemunham a riqueza do seu passado. Entre os diversos pontos de interesse há um que se impõe pela sua antiguidade e importância: a Ponte de Trajano, também conhecida como Ponte Romana de Chaves.
Esta estrutura atravessa o rio Tâmega, bem no coração da cidade, ligando as suas margens. A construção da ponte remonta ao final do século I e início do século II d.C., durante o período da romanização da região. Foi erguida numa época em que Aqua Flaviae, a atual Chaves, era um centro romano relevante, conhecido pelas suas termas e infraestruturas viárias.
Trajano, o imperador que lhe deu nome
O nome da ponte está associado ao imperador Marco Ulpio Trajano (c. 53-117), que governava na altura da sua edificação. Esta ligação histórica é reforçada pelas inscrições encontradas na própria ponte, que fazem referência às comunidades que contribuíram para a sua construção.
Na época romana, a ponte desempenhava um papel essencial como eixo viário, ligando Bracara Augusta (Braga) à cidade espanhola de Astorga. Esta ligação fazia de Chaves um ponto estratégico na rede de comunicações do Império Romano, tal como refere o NCultura.
Arcos que ‘desafiam’ o tempo
Atualmente, a Ponte de Trajano conserva 12 arcos de volta perfeita, com uma extensão máxima de cerca de 100 metros. No entanto, a ponte foi originalmente construída com 16 arcos, dos quais quatro estão soterrados por construções e camadas de aluvião acumuladas ao longo dos séculos.
A estrutura da ponte revela a solidez da engenharia romana. Os arcos são compostos por robustas aduelas talhadas com precisão, formando um conjunto harmonioso e resistente, que atravessou quase dois milénios de história.
Testemunhos imperiais em pedra
Duas colunas situadas no tabuleiro central da ponte são atribuídas aos imperadores Titus Flavius Vespasianus (c. 9-79) e Marco Ulpio Trajano (c. 53-117). Estas colunas possuem inscrições latinas ainda legíveis, com referências às populações que participaram na construção.
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No ano de 2001, escavações revelaram um troço de 50 metros de calçada romana na Rua Cândido dos Reis, via que dá acesso à ponte. Esta descoberta veio reforçar a importância do monumento no contexto da rede viária romana.
Séculos de restauros e intervenções
Ao longo dos séculos, a ponte sofreu intervenções de restauro e remodelações. No século XVI, uma cheia causou a destruição parcial da estrutura, obrigando a obras de recuperação para lhe devolver a sua funcionalidade.
Em 1880, os parapeitos originais em pedra foram substituídos por grades de ferro, alterando parcialmente a imagem da ponte. Ainda assim, os pilares e arcos permanecem na sua posição original, testemunhando a durabilidade da construção romana.
Dimensões que ‘impressionam’
O tabuleiro da ponte mede atualmente 140 metros de comprimento. Em cada um dos seus parapeitos foram colocados marcos romanos, documentos pétreos que preservam inscrições que chegaram até aos nossos dias.
A Ponte Romana de Chaves mantém-se como o monumento mais emblemático da cidade. Com quase dois mil anos, continua firme a unir as margens do rio Tâmega, recordando a importância de Chaves como ponto de passagem crucial na rede de vias do antigo Império Romano.
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