Mais de cem municípios portugueses vão apagar ou reduzir a iluminação de edifícios públicos durante uma hora, num gesto que promete deixar várias cidades do país às escuras. A iniciativa tem como objetivo alertar para a proteção da natureza e para a urgência de reduzir as alterações climáticas e acontece no próximo sábado, integrando a “Hora do Planeta”, promovida pela organização ambientalista internacional, WWF.
Um gesto global que começou em Sydney
A “Hora do Planeta” decorre todos os anos no último sábado de março, este ano entre as 20:30 e as 21:30. De acordo com o site especializado em atualidade e economia, Executive Digest, que cita a WWF Portugal, consiste em desligar as luzes de forma simbólica para chamar a atenção para a perda acelerada da biodiversidade e para a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.
A primeira edição realizou-se a 31 de março de 2007 em Sydney, na Austrália, quando 2,2 milhões de pessoas e mais de duas mil empresas apagaram as luzes durante uma hora. Segundo a WWF Portugal, a iniciativa cresceu e mantém-se hoje como a maior mobilização global nesta área, envolvendo milhões de pessoas, instituições e governos em mais de 190 países e territórios.
Portugal assinala 20 anos da Hora do Planeta
Em Portugal, a WWF Portugal indica que este ano mais de uma centena de autarquias vai participar. Ângela Morgado, diretora executiva da associação, afirma que “de norte a sul do país, municípios e outras entidades públicas vão aderir com iniciativas locais, desligando luzes de monumentos e edifícios emblemáticos, reforçando o caráter coletivo da ação”.
Entre os edifícios que se associam à iniciativa estão a Torre de Belém, o Castelo de São Jorge, as pontes 25 de Abril e do Freixo, o Mosteiro dos Jerónimos e várias estações ferroviárias. Em Lisboa, no centro comercial Colombo, as luzes da praça central vão ser reduzidas e será inaugurada uma exposição fotográfica organizada pela WWF Portugal, aberta até 3 de abril. Segundo a associação, o gesto coletivo é também um ato de esperança, em diálogo com a beleza e a resiliência da natureza.
Educação e pequenas ações no quotidiano
Ao longo do sábado, a WWF Portugal promove sessões educativas destinadas a famílias, reforçando a ligação entre pequenos gestos do dia a dia e o impacto positivo que cada pessoa pode ter sobre a natureza. A organização salienta que a proteção do planeta começa muitas vezes em casa, por exemplo criando espaços amigos da biodiversidade ou aprendendo sobre os desafios e soluções ligados à conservação e restauro da natureza.
Ângela Morgado recorda que Portugal tem vivido semanas marcadas por tempestades extremas, reflexo de um “novo normal climático que a ciência já confirma”, sendo este o contexto em que a Hora do Planeta assume particular relevância.
Segundo a diretora executiva da WWF Portugal, é essencial transformar a consciência destes eventos em ação concreta, investindo na prevenção, adaptação e proteção da natureza como aliada na redução dos impactos destes fenómenos.
A WWF é uma das maiores organizações independentes de conservação do mundo, com mais de cinco milhões de apoiantes e uma rede ativa em mais de cem países, segundo informação da própria associação.
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