A chegada da primeira neve à Serra da Estrela marca, todos os anos, o início da época fria em Portugal. De acordo com o jornal Expresso, o manto branco que cobriu o maciço central na última noite obrigou ao fecho temporário da Estrada Nacional 339, entre os Piornos e a Lagoa Comprida, devido ao vento forte e à queda intensa de neve. O fenómeno, embora previsível naquela região, reacende sempre a mesma curiosidade: será que o sul do país voltará algum dia a acordar coberto de neve?
Portugal continental está sob a influência de uma frente fria que tem trazido chuva, trovoadas e vento, segundo o IPMA. A Serra da Estrela, com quase 2.000 metros de altitude, continua a ser o único local onde a neve surge com regularidade, sobretudo acima dos 1.600 metros.
Mas o fenómeno não se restringe ao ponto mais alto do país. Conforme o portal Idealista, cidades, como a Guarda e Bragança têm registado nevões consistentes nos últimos anos, fruto das temperaturas negativas que se instalam entre dezembro e fevereiro.
Na Guarda, a cidade mais alta do território continental, a queda de neve é praticamente uma tradição. Já em Bragança, perto da fronteira espanhola, a vida chega a parar durante alguns dias quando a neve cobre ruas e telhados.
Mais a norte e a este, o branco repete-se
Montalegre e Pitões das Júnias são também pontos seguros para quem procura neve em Portugal. Explica a mesma publicação que o Parque Nacional da Peneda-Gerês oferece cenários gelados durante a estação fria, com carvalhos cobertos e ribeiros transformados em lâminas de gelo. Até Guimarães, ocasionalmente, é surpreendida: o Santuário da Penha e o Monte de São Bento das Peras já conheceram o branco da neve, embora em episódios raros e breves.
E no Algarve, será possível?
A resposta exige uma viagem no tempo. O jornal Sul Informação recorda que, a 2 de fevereiro de 1954, um fenómeno meteorológico excecional cobriu Portugal de norte a sul com neve e o Algarve não foi exceção. O Diário de Notícias, O Século e A Voz relataram o espanto dos algarvios ao verem cair flocos sobre Portimão, Aljezur e Odiáxere. Por algumas horas, o branco substituiu a flor das amendoeiras, tradicionalmente apelidada de “neve algarvia”.
Segundo a mesma fonte, o nevão foi tão invulgar que ficou registado na memória coletiva e nas páginas dos jornais da época. No Figueiral, o chão cobriu-se de neve; em Portimão, junto à Casa Inglesa, as ruas perderam o tom solar habitual.
Quando o improvável acontece
O jornal algarvio acrescenta que aquele inverno foi particularmente rigoroso em toda a Europa, mas poucos acreditavam que o frio chegasse a tal extremo no sul do país. Os termómetros desceram abruptamente e, durante um breve momento, o Algarve viveu o mesmo espanto que hoje se repete todos os anos na Serra da Estrela.
De lá para cá, a neve não voltou a visitar o extremo sul. Ainda assim, a lembrança desse dia de 1954 alimenta a esperança ou a curiosidade de quem sonha ver novamente o branco cobrir as encostas do Caldeirão ou os campos de Monchique.
Onde é mais provável voltar a ver neve
Segundo o Idealista, a probabilidade de nevar em Portugal mantém-se concentrada no interior norte e centro, com destaque para a Serra da Estrela, Guarda, Bragança e Montalegre. No Algarve, o cenário é improvável por causa das temperaturas amenas que se registam no sul do país. No entanto, não é impossível. Condições atmosféricas extremas, como as que se verificaram há mais de 70 anos, poderiam, em teoria, repetir o feito.
Até lá, o sul continuará a olhar para o céu com a mesma pergunta de sempre: para quando neve no Algarve?
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