Uma jornada de trabalho de 5:30 h, nove entregas e 57 quilómetros percorridos permitiram a uma estafeta da Glovo arrecadar cerca de 27,90 euros, antes de descontar as despesas associadas ao trabalho. Carine Mariano partilhou no TikTok os números de um dos seus dias de trabalho e concluiu que o resultado ficou aquém do que esperava, depois de gastar ainda sete euros em combustível.
A média foi de 3,10 euros por entrega, num período em que a estafeta percorreu 57 quilómetros para cumprir os pedidos. Ao valor obtido há que retirar o combustível utilizado durante a jornada, o que deixa cerca de 20,90 euros depois dessa despesa. O montante corresponde ao resultado de quase seis horas de trabalho, sem contabilizar outros custos associados ao veículo.
“Eu não achei que foi um dia bom”, afirmou Carine Mariano no vídeo publicado na sua conta de TikTok. A trabalhadora reconhece, contudo, que os rendimentos podem variar de um dia para o outro e que uma jornada com um resultado inferior não representa necessariamente a realidade de todos os dias.
“Terão dias bons e dias maus”
“Mas é sobre isso, terão dias bons e dias maus. Seja aqui em Portugal ou em qualquer outro lugar do mundo”, acrescentou. A afirmação surge depois de apresentar os principais números daquele dia de trabalho, permitindo perceber quanto foi recebido por entrega e a distância percorrida ao longo do período em que esteve a trabalhar.
O caso mostra também a diferença entre o valor recebido pelas entregas e o dinheiro que efetivamente fica disponível depois das despesas. Só o combustível representou sete euros naquele dia. A utilização de um veículo implica, além disso, outros custos que podem não surgir imediatamente nas contas de uma única jornada.
Em Espanha a realidade é semelhante
No país vizinho, as dificuldades de quem trabalha na Glovo são semelhantes às que se registam em Portugal. De acordo com o portal Notícias Trabajo, o trabalho de estafeta envolve despesas relacionadas com o veículo, combustível, manutenção e materiais utilizados durante as entregas. A publicação acompanhou uma estafeta da Glovo em Almería e descreveu uma realidade em que parte desses encargos é suportada pela própria trabalhadora.
“Todas as despesas com o veículo são da nossa responsabilidade”, explicou Daniela, a estafeta acompanhada pela publicação. O caso de Daniela não corresponde exatamente à jornada de Carine em Portugal, mas enquadra uma questão comum ao trabalho de entregas: o valor recebido não corresponde necessariamente ao rendimento disponível depois dos custos associados à atividade.
Quilómetros que também pesam
Na experiência relatada pela publicação espanhola, uma parte dos quilómetros percorridos também entra na equação dos rendimentos. Daniela afirmou que o pagamento da Glovo começa a contar a partir do momento em que recolhe o pedido, ficando o percurso até ao estabelecimento a seu cargo. A situação foi descrita pela própria repartidora como uma das despesas que tem de suportar durante a atividade.
No caso de Carine, os números apresentados no TikTok permitem apenas conhecer o resultado daquele dia de trabalho: 5:30 h de trabalho, nove entregas, 57 quilómetros e sete euros de combustível. Não são apresentados outros custos ou rendimentos relativos a esse dia, pelo que o valor final depois de todas as despesas não é indicado.
O vídeo chama a atenção para uma realidade em que os valores brutos de um dia de trabalho ao serviço da Glovo não falam por si só. Entre o dinheiro recebido e aquilo que efetivamente sobra existem despesas, como o combustível, que podem alterar de forma significativa o resultado final. No caso apresentado, foram sete euros gastos para percorrer os 57 quilómetros registados.
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