O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou esta quinta-feira a “morte precoce” do realizador João Canijo, que classificou como “uma voz forte e singular” e um “destemido cronista” da realidade portuguesa.
Numa nota divulgada na página oficial da Presidência da República, o chefe de Estado endereçou condolências à família e aos colaboradores mais próximos do cineasta, sublinhando o seu papel enquanto “meticuloso e destemido cronista de um país que nem sempre queremos ver”.
Homenagem do Presidente da República
Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda que João Canijo, que morreu na quinta-feira aos 68 anos, “tinha tido recentemente o seu momento de consagração” com o díptico cinematográfico “Mal Viver” e “Viver Mal”.
“Há décadas que o cineasta vinha filmando o lado B de Portugal, a miséria, a emigração, a violência e o ‘mau-gosto’, num registo entre o melodrama, o documentário e o teatral, projeto que passava por um longo trabalho coletivo com os atores”, refere ainda o texto.
Marcelo Rebelo de Sousa considera que a sua “morte precoce” privará o país de “uma voz forte e singular no momento da sua maior afirmação, incluindo a projeção internacional”.
Reações do Governo à morte do cineasta
O Governo, através da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, também já lamentou hoje “com profundo pesar” a morte do cineasta João Canijo, que descreveu como “figura maior do cinema português contemporâneo”.
João Canijo, que completou 68 anos em dezembro passado, estava a finalizar o mais recente projeto de cinema, o filme “Encenação”, assim como a filmagem, há cerca de duas semanas, de uma peça de teatro com ele relacionada.
Percurso e legado de João Canijo
João Manuel Altavilla Canijo nasceu em 1957 no Porto, onde frequentou o curso de História na Faculdade de Letras entre 1978 e 1980, tendo descoberto a paixão pelo cinema logo de seguida.
No meio iniciou-se como assistente de realização de Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter, entre outros, como recordavam os autores de uma entrevista feita para o projeto “Novas & velhas tendências no cinema português contemporâneo” da Escola Superior de Teatro e Cinema publicada em 2011.
















