O modelo de confiança utilizado pela Meteored (ECMWF) prevê que o tempo em Portugal nos últimos dias de outubro e primeiros de novembro seja caracterizado por precipitação acima da média devido ao domínio dos ventos ábregos. Alfredo Graça, geógrafo e Homem do Tempo da Meteored Portugal, analisa a possível imposição deste padrão meteorológico, bem como os seus potenciais efeitos em Portugal.
“Após a depressão Benjamin e os rios atmosféricos, os mapas previam a mudança para um tempo seco, soalheiro e estável, embora com temperaturas mais frias a partir de domingo, 26 de outubro”, afirma o geógrafo e editor-chefe da Meteored Portugal.

Porém, as mais recentes atualizações das cartas do modelo determinista e do modelo de anomalia média semanal do ECMWF revelam “uma mudança drástica nas previsões, antecipando a continuidade do tempo chuvoso, muito húmido e instável durante praticamente toda a semana vindoura (27 de outubro a 2 de novembro), com alguns poucos períodos de estabilidade”.
Se as atuais previsões dos mapas de referência da Meteored se cumprirem, segunda-feira, 27 de outubro, seria o único dia da próxima semana sem chuva no Norte e no Centro de Portugal continental (embora essa possibilidade esteja prevista para as regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela).
Prevê-se uma reta final de outubro muito chuvosa
“A partir de terça-feira (28) vislumbra-se a possibilidade das primeiras linhas de instabilidade associadas a uma depressão formada a oeste do nosso país, começarem a regar as regiões situadas a sul do Tejo, com a chuva a estender-se para norte e a afetar todo o país na quarta (29) e na quinta-feira (30)”, refere Alfredo Graça.
“Nos dias 29 e 30, a depressão atlântica, potencialmente alimentada por um novo rio atmosférico carregado de humidade, ficaria relativamente estacionária sobre o nosso país, gerando vários períodos de chuva persistente e moderada, por vezes forte, o que poderia consequentemente gerar inundações”, acrescenta o geógrafo.
Para este cenário contribuiriam os chamados ventos ábregos, que começariam a impor-se no nosso país a partir de quarta (29). Os ábregos são ventos quentes e húmidos do quadrante Sul (normalmente de Sudoeste) que costumam provocar chuvas fortes, sobretudo na metade ocidental da Península Ibérica e com particular ênfase na sua fachada atlântica, isto é, em Portugal continental e na Galiza.
Primeiros dois dias de novembro com potencial para muita chuva e vento forte, mas atenção à elevada incerteza na previsão
Entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro perspetiva-se “a possibilidade de os ventos ábregos se intensificarem, o que resultaria num cenário de rajadas ainda mais fortes e ainda mais períodos de chuva abundante e persistente em praticamente todo o território de Portugal continental”.
No entanto, devido à distância temporal da previsão (igual ou superior a sete dias), prevalece uma enorme incerteza em relação à intensidade e distribuição, quer da chuva, quer do vento. Quaisquer ajustes no posicionamento e trajetória dos centros de ação atmosférica – como as depressões e os anticiclones – poderão influenciar as atuais previsões, pelo que é preciso sempre ter em conta a possibilidade de alterações consideráveis em relação ao estado do tempo nas datas aqui mencionadas.
Mais informação no artigo original: Previsão muda para o que virá após depressão Benjamin: ventos ábregos poderão chegar a Portugal pouco depois
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