O turismo continua a ser um dos motores da economia portuguesa, sobretudo em regiões onde a mobilidade depende fortemente das ligações aéreas. Nos Açores, a redução do número de passageiros nos aeroportos da região está já a ter impacto em vários setores ligados às viagens, desde o alojamento ao aluguer de automóveis.
De acordo com a SIC Notícias, as empresas de rent-a-car dos Açores estão a registar uma quebra significativa na procura desde o final de março, altura em que a Ryanair deixou de operar nas rotas da região. O setor aponta para uma descida de cerca de 30% no número de clientes.
Menos turistas e menos carros alugados
A diminuição da procura está a traduzir-se em centenas de reservas perdidas por dia, sobretudo nas ilhas onde o automóvel é considerado essencial para quem visita o arquipélago. Segundo a mesma fonte, muitos turistas dependem do aluguer de carro para percorrer as diferentes paisagens e aceder a zonas menos servidas por transportes públicos.
A saída da companhia aérea irlandesa coincidiu com uma nova quebra nos números do turismo regional. A publicação refere que, em abril, houve menos 12,3% de passageiros desembarcados nos aeroportos açorianos face ao mesmo período do ano passado.
Impacto da saída da Ryanair
A Ryanair assegurava cerca de 100.000 passageiros por ano nas ligações para Ponta Delgada e Terceira. Conforme a mesma fonte, a companhia justificou a saída com os custos associados às taxas aeroportuárias e à tributação ambiental europeia.
A decisão teve repercussões imediatas em setores que dependem diretamente da chegada de visitantes. As empresas de aluguer automóvel são das mais afetadas, uma vez que grande parte dos turistas reserva viatura logo após a compra das viagens aéreas.
Empresários olham para o inverno com preocupação
Apesar da expectativa de alguma recuperação durante os meses de verão, os empresários admitem receio em relação à próxima época baixa. Segundo a mesma fonte, as previsões apontam para quebras de receita que podem atingir os 50% no inverno.
Os operadores turísticos defendem que será necessário reforçar a atratividade aérea da região para evitar uma redução prolongada no fluxo turístico. Escreve a publicação que o setor pede medidas concretas para captar novas companhias e recuperar ligações perdidas.
Destino dependente das ligações aéreas
Nos Açores, o impacto das alterações nas rotas aéreas tende a ser mais imediato do que noutras regiões do país. A distância face ao continente e a dispersão geográfica das ilhas fazem com que a acessibilidade seja um fator central para o turismo.
De salientar que o aluguer de automóveis tornou-se quase indispensável para quem visita o arquipélago, sobretudo em ilhas como São Miguel ou Terceira, onde muitos pontos turísticos ficam afastados dos centros urbanos.
Quebra já se reflete na atividade diária
As empresas do setor admitem que a redução do movimento já é visível no dia a dia. Acrescenta a publicação que há menos reservas antecipadas e uma procura mais reduzida mesmo em períodos tradicionalmente fortes para o turismo regional.
O cenário está também a levar os empresários a alertar para possíveis consequências indiretas noutros negócios ligados ao turismo, como restaurantes, atividades marítimas e alojamentos locais.
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