Várias praias do norte de Espanha foram afetadas pela presença crescente de uma espécie marinha perigoso, levando mesmo à interdição temporária dos banhos em alguns locais e à assistência de vários banhistas. Perante estes episódios, e com base nas informações partilhadas pela RFM, explicamos neste artigo como verificar se existem registos deste organismo em praias portuguesas e o que deve fazer em caso de contacto.
A situação tem sido particularmente evidente no País Basco e na Cantábria, onde as condições marítimas favoreceram a chegada destes organismos à costa durante as últimas semanas.
Em causa está a caravela-portuguesa, uma espécie conhecida pelos seus longos tentáculos urticantes e pelo risco que representa para quem está na praia e entra em contacto com este organismo.
Mais de uma centena de assistências num só dia
Em San Sebastián, mais de uma centena de pessoas receberam assistência num único dia depois de entrarem em contacto com caravelas-portuguesas, segundo refere o jornal El Español.
Na praia de Ondarreta, o número de exemplares encontrados junto à costa levou mesmo à interdição temporária dos banhos, como mostrou um vídeo divulgado pelo El Periódico de España. Outras zonas balneares do norte de Espanha também adotaram medidas de precaução perante o aumento dos avistamentos.
Apesar da preocupação provocada pela situação, as autoridades indicam que a maioria dos casos registados resultou apenas em sintomas ligeiros.
Caravela-portuguesa não é uma medusa
Embora seja frequentemente confundida com uma medusa, a caravela-portuguesa é, na realidade, um organismo diferente. Trata-se de uma colónia formada por vários organismos especializados que funcionam em conjunto e se deslocam à superfície do oceano ao sabor das correntes e do vento.
O principal perigo encontra-se nos seus tentáculos, que podem atingir vários metros de comprimento e possuem milhares de células urticantes capazes de libertar veneno.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), estas células podem continuar ativas mesmo depois de o organismo morrer ou chegar à areia. Por esse motivo, uma caravela-portuguesa nunca deve ser tocada, mesmo quando aparenta estar seca ou já sem vida.
O que fazer em caso de contacto
Em caso de contacto com uma caravela-portuguesa, a primeira medida recomendada passa por sair imediatamente da água e procurar a ajuda do nadador-salvador, quando a praia é vigiada, segundo a Euronews.
A zona afetada deve ser lavada apenas com água do mar ou soro fisiológico, evitando a utilização de água doce. Os eventuais restos de tentáculos devem ser retirados cuidadosamente, recorrendo a uma pinça ou a outro objeto adequado, sem contacto direto com a pele.
Posteriormente, pode ser aplicado frio local, utilizando gelo envolvido num pano para ajudar a aliviar a dor. Caso surjam sintomas mais graves, como dificuldades respiratórias, náuseas, sinais de choque ou dor intensa, deverá ser procurada assistência médica com rapidez.
Água doce pode agravar a situação
De acordo com a mesma fonte, um dos erros mais comuns após uma picada consiste em lavar imediatamente a zona atingida com água doce. Este procedimento pode estimular as células urticantes que ainda não libertaram o seu conteúdo, levando à libertação de mais veneno e agravando os sintomas. É por essa razão que a água do mar ou o soro fisiológico são geralmente indicados para uma primeira limpeza da zona afetada.
Perigo mantém-se mesmo depois de chegar à areia
Uma caravela-portuguesa não deixa necessariamente de representar perigo depois de dar à costa. Os tentáculos podem manter a capacidade de provocar lesões durante algum tempo, razão pela qual não devem ser tocados com as mãos ou com os pés. Mesmo exemplares aparentemente secos ou imóveis podem continuar a conter células urticantes ativas.
Caso seja encontrada uma caravela-portuguesa numa praia, o procedimento mais seguro passa por alertar o nadador-salvador ou as autoridades responsáveis pela zona balnear.
Como saber se existem caravelas-portuguesas nas praias portuguesas?
Em Portugal, os banhistas podem acompanhar os avistamentos através do GelAvista, programa desenvolvido pelo IPMA para monitorizar a presença de organismos gelatinosos ao longo da costa portuguesa.
A plataforma disponibiliza informação sobre registos recentes comunicados por investigadores, entidades oficiais e cidadãos. Além da caravela-portuguesa, o sistema acompanha também diferentes espécies de medusas e outros organismos com potencial urticante. A consulta destes registos antes de uma ida à praia pode ajudar a perceber se foram recentemente identificados exemplares destas espécies numa determinada zona costeira.
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