O Chega anunciou que vai apresentar uma iniciativa para propor a suspensão temporária da aplicação do Acordo de Schengen e a reposição imediata do controlo nas fronteiras terrestres com Espanha. A posição surge na sequência da entrada de milhares de migrantes em Ceuta, cidade autónoma espanhola situada no norte de África.
Segundo o Jornal de Notícias, o grupo parlamentar do partido justifica a proposta com razões de segurança e afirma que Portugal deve voltar a controlar quem entra no território nacional. André Ventura deverá prestar declarações esta sexta-feira na sede nacional do Chega.
Chega diz que Portugal deve controlar entradas
Num comunicado enviado ao JN, o Chega afirma que “Portugal tem de voltar a controlar quem entra no seu território” e que “a segurança dos portugueses está em primeiro lugar”. O partido adianta ainda que André Ventura manteve, durante a manhã, contactos com líderes europeus dos grupos Patriots e ECR sobre a situação em Ceuta.
Na sequência dessas conversações, acrescenta o partido, vários dirigentes europeus estarão a ponderar exigir aos respetivos governos a adoção de medidas semelhantes relativamente à fronteira com Espanha.
A proposta do Chega insere-se num movimento mais amplo de críticas de partidos e responsáveis da direita europeia ao Governo espanhol, depois da chegada em massa de migrantes à fronteira entre Marrocos e Ceuta.
Direita europeia pressiona Espanha
O anúncio do Chega surge depois de Antonio Tajani, vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia italiana, ter defendido estar “a favor do encerramento do espaço Schengen com a Espanha”. Também a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou querer suspender Espanha do espaço Schengen, associando as imagens de Ceuta a uma ameaça para a segurança das fronteiras europeias.
Em França, Marine Le Pen, líder do Reagrupamento Nacional, acusou o Governo de Madrid de incentivar a entrada em massa de migrantes em território espanhol. A dirigente defendeu ainda restrições à livre circulação dentro do espaço Schengen, limitando-a aos cidadãos da União Europeia.
Também o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou o reforço dos controlos fronteiriços com Espanha e afirmou estar em contacto com o Governo espanhol devido à crise causada pela chegada de migrantes a Ceuta.
Países Baixos e Finlândia também reagem
Nos Países Baixos, Geert Wilders, líder do Partido para a Liberdade, defendeu o encerramento imediato das fronteiras e chegou a pedir que Espanha fosse expulsa do espaço Schengen. Em sentido mais institucional, o chefe da diplomacia neerlandesa, Tom Berendsen, afirmou confiar que Espanha fará “o necessário” para proteger a fronteira externa da União Europeia em Ceuta, pedindo também medidas adequadas a Marrocos.
A ministra do Interior finlandesa, Mari Rantanen, também criticou Espanha, considerando que o país falhou na proteção da fronteira exterior do espaço Schengen. A governante defendeu que os países que não cumprem essa obrigação não devem integrar o espaço de livre circulação.
No Reino Unido, Nigel Farage, líder do Reform UK, afirmou que a Europa deve “despertar” perante a crise em Ceuta. O político britânico associou a situação à política migratória do Governo espanhol e defendeu uma resposta mais dura.
Ceuta no centro da tensão migratória
Também na Alemanha, Alice Weidel, líder da Alternativa para a Alemanha, defendeu o reforço da proteção das fronteiras e a aplicação rigorosa das devoluções de migrantes, admitindo a suspensão de Schengen se necessário. Na Suécia e na Dinamarca, dirigentes de partidos da direita radical seguiram a mesma linha, defendendo medidas contra Espanha e o encerramento de fronteiras.
De acordo com o Jornal de Notícias, pelo menos 34 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentarem entrar em Ceuta a partir de Marrocos. O jornal refere ainda que mais de 60 mil migrantes avançaram para a fronteira do lado marroquino para passar ou tentar passar para o enclave espanhol, a nado, a pé ou saltando a vedação existente entre os dois territórios.
A situação mantinha-se tensa ao início da manhã desta sexta-feira, embora meios de comunicação espanhóis estivessem já a relatar o regresso de centenas ou milhares de pessoas a Marrocos.
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