A Igreja Matriz de Alvor guarda uma imagem religiosa à qual está associada uma antiga lenda da vila piscatória. Conhecida como “Senhor Jesus”, terá dado à costa e sido posteriormente colocada no altar pelos pescadores locais, numa história que continua ligada à memória religiosa de Alvor.
De acordo com o portal Visit Portimão, a igreja foi construída na década de 1520 e é um dos principais exemplos do estilo manuelino no Algarve. Entre os elementos mais marcantes encontra-se o pórtico, ornamentado com representações de fauna e flora, cenas bélicas e símbolos religiosos.
Imagem terá sido encontrada junto ao mar
A tradição local conta que a imagem do “Senhor Jesus” apareceu na costa e acabou por ser transportada pelos pescadores de Alvor para o interior da igreja. A entidade de turismo apresenta-a como uma imagem famosa e milagrosa, embora a história da sua chegada seja transmitida enquanto lenda e não como um acontecimento historicamente comprovado.
A peça encontra-se num templo cujo interior conserva vários outros elementos de interesse. Entre eles estão seis altares de talha dourada e revestimentos de azulejos datados do século XVIII, que testemunham alterações e intervenções realizadas muito depois da construção inicial.
Portal manuelino resistiu ao terramoto de 1755
A fachada é um dos elementos que mais distinguem a Igreja Matriz de Alvor. O portal manuelino apresenta uma decoração detalhada onde se cruzam motivos naturais, religiosos e militares, constituindo um dos vestígios mais reconhecíveis do período em que o edifício foi erguido.
O portal Algarve Portugal Tourism acrescenta ainda que a igreja sofreu danos durante o terramoto de 1755, mas o portal sobreviveu. No interior pode ainda observar-se um painel de azulejos de estilo rococó dedicado à Última Ceia, além dos retábulos barrocos presentes no templo.
Vila conserva marcas de uma história muito anterior ao turismo
De salientar que Alvor é uma antiga vila piscatória pertencente ao concelho de Portimão e desenvolveu-se junto ao estuário da Ria de Alvor. Apesar da forte presença turística atual, continua a conservar elementos que remetem para uma relação histórica estreita com o mar e com a atividade piscatória.
Outro dos locais associados ao passado da vila é o antigo castelo de Alvor. Pouco resta atualmente das suas muralhas, depois dos danos provocados pelo terramoto, e a zona onde existia a fortificação é hoje ocupada por um parque infantil. A mesma fonte turística associa também este local aos últimos dias de D. João II, que morreu em Alvor em 1495.
Porto e centro histórico mantêm ligação ao mar
Nas proximidades da igreja encontra-se o centro histórico, onde se concentram restaurantes, bares e pequenas ruas que conduzem em direção à zona portuária. A Rua Dr. Frederico Ramos Mendes e as artérias envolventes fazem parte das áreas mais movimentadas, sobretudo durante a época turística.
Junto ao porto continuam a ser visíveis embarcações de pesca, além de barcos de recreio. A presença de restaurantes onde o peixe grelhado assume destaque mantém igualmente uma ligação entre a atividade turística atual e a tradição piscatória que marcou durante séculos a identidade de Alvor.
Passadiços atravessam a paisagem da Ria de Alvor
Além do património histórico e das praias, a vila é conhecida pelos passadiços que atravessam a zona natural próxima do estuário. Elevados sobre áreas de dunas e zonas húmidas, permitem observar diferentes ambientes da Ria de Alvor sem abandonar os percursos definidos.
Estes passadiços estendem-se por cerca de três quilómetros e são procurados por quem pretende observar aves, conhecer a flora local ou simplesmente caminhar junto ao estuário. Entre a paisagem natural e o património religioso, a Igreja Matriz continua, porém, a guardar uma das histórias mais peculiares da vila: a da imagem que, segundo a lenda, chegou pelo mar e acabou nas mãos dos pescadores de Alvor.















