O preço dos combustíveis pode vir a dar algum alívio aos condutores portugueses nas próximas semanas, depois de uma queda relevante do petróleo nos mercados internacionais. O Brent, referência para o mercado europeu, recuou para o valor mais baixo desde o início de março.
De acordo com o site Pplware, especializado em tecnologia e atualidade, os mercados estão a antecipar uma normalização gradual do abastecimento energético, num contexto de expectativa em torno de um entendimento diplomático relacionado com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irão. Ainda assim, a descida no preço do petróleo não significa automaticamente uma redução imediata na bomba.
Brent cai para mínimos dos últimos meses
Os futuros do Brent com entrega em agosto recuaram quase 1% esta quarta-feira, depois de já terem registado quedas próximas dos 5% em cada um dos dois dias anteriores. Por volta das 9:00 em Lisboa, o barril estava cotado nos 78,24 dólares, o valor mais baixo desde 3 de março. A descida surge depois de uma forte escalada durante o período de maior tensão no Médio Oriente. Segundo o Pplware, o preço do crude chegou a subir mais de 50% durante a guerra, mas encontra-se agora apenas cerca de 7% acima do valor registado antes dos ataques de 28 de fevereiro.
Mercados antecipam regresso à normalidade
A queda recente reflete a expectativa de que o pior cenário para o abastecimento energético possa estar ultrapassado. Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates, em Londres, considera que a descida acumulada do Brent nas últimas sessões traduz um voto de confiança dos mercados. Na leitura do analista, os investidores estão a incorporar a possibilidade de normalização do fornecimento e de menor risco de interrupções graves nas rotas internacionais de petróleo.
Ainda assim, o mercado continua sensível a qualquer sinal de instabilidade. Tensões geopolíticas, decisões de países produtores, bloqueios logísticos ou perturbações no transporte marítimo podem voltar a pressionar os preços.
Estreito de Ormuz é peça central
O Estreito de Ormuz continua a ser uma das passagens mais importantes para o comércio mundial de petróleo. Segundo o site Pplware, a expectativa é que o Irão ponha fim ao encerramento quase total desta rota no âmbito de um memorando que deverá ser assinado em breve. Em troca, os Estados Unidos deverão levantar, entre outras medidas, o bloqueio aos portos iranianos.
A reabertura do estreito seria um passo importante para restaurar a confiança nas cadeias de abastecimento energético, depois de meses de instabilidade. O tráfego marítimo naquela zona terá sido fortemente condicionado por ameaças de mísseis, drones e minas, retirando ao mercado global uma estimativa de 14 milhões de barris de petróleo por dia.
Analistas pedem prudência
Apesar do alívio nos preços, há quem peça cautela. Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, em Singapura, considera que os investidores estão a antecipar o melhor cenário possível para a normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz. A analista sublinha, porém, que ainda falta transformar compromissos políticos em resultados concretos. A assinatura de um entendimento pode aliviar os mercados, mas a execução prática pode enfrentar atrasos, dificuldades logísticas ou novas tensões. Por isso, a queda do petróleo é uma boa notícia, mas ainda depende de confirmação nas próximas semanas.
Como isto pode chegar a Portugal
Portugal importa praticamente todo o petróleo que consome, pelo que as variações internacionais acabam por influenciar o preço final dos combustíveis. Se a descida do Brent se mantiver, poderá haver margem para uma redução no preço da gasolina e do gasóleo nas bombas portuguesas.
Esse efeito, contudo, costuma chegar com algum desfasamento. O preço pago pelos consumidores não acompanha de forma automática, imediata ou proporcional a cotação do barril. Ainda assim, uma descida sustentada do petróleo tende a aliviar a pressão sobre os combustíveis, sobretudo quando se mantém durante várias semanas.
Preço na bomba depende de mais fatores
O valor final que os condutores pagam não depende apenas do crude. Entram também nas contas os custos de refinação, transporte, distribuição, margens comerciais, impostos, taxa de carbono, ISP e IVA.Além disso, em Portugal, o preço dos combustíveis acompanha sobretudo a evolução dos produtos refinados nos mercados internacionais, e não apenas a cotação direta do barril de petróleo. Isto significa que uma descida do Brent ajuda, mas não garante que a gasolina e o gasóleo baixem logo na mesma proporção.
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