As burlas associadas a cartões bancários e pagamentos eletrónicos continuam a representar uma ameaça significativa para os consumidores, apesar da redução do número de casos registados. Os dados mais recentes revelam que os burlões estão a recorrer a métodos cada vez mais sofisticados para enganar utilizadores e obter acesso ao seu dinheiro, levando a perdas financeiras mais elevadas por vítima.
Cada vítima perde mais dinheiro
Segundo o mais recente relatório sobre sistemas de pagamentos divulgado pelo Banco de Portugal (BdP), o montante médio perdido por quem foi alvo de fraude aumentou durante o primeiro semestre de 2024. Embora tenham sido registados menos incidentes do que no mesmo período do ano anterior, o impacto económico de cada caso tornou-se mais pesado.
Os números indicam que, por cada milhão de operações realizadas com cartões emitidos em Portugal, ocorreram menos fraudes do que em 2023. Contudo, o valor desviado pelos criminosos aumentou, demonstrando que os golpes estão a tornar-se mais eficazes.
Quase nove milhões de euros desapareceram em seis meses
No total, as fraudes relacionadas com cartões e transferências bancárias provocaram prejuízos próximos dos nove milhões de euros durante os primeiros seis meses do ano passado.
Uma parte significativa dessas perdas teve origem em operações efetuadas com cartões, mas a maior fatia continuou ligada às transferências a crédito. O Banco de Portugal salienta que muitos destes esquemas envolvem manipulação psicológica das vítimas, levando-as a autorizar pagamentos acreditando tratar-se de operações legítimas.
Mensagens falsas e promessas de ganhos fáceis estão entre os esquemas mais usados
Os criminosos recorrem frequentemente a mensagens enviadas por SMS ou por aplicações de conversação para tentar obter dados pessoais e bancários. Também são comuns anúncios divulgados nas redes sociais que prometem oportunidades de emprego, investimentos altamente rentáveis ou ganhos rápidos.
Em muitos casos, as vítimas são convencidas a realizar um primeiro pagamento com a expectativa de receberem um reembolso ou uma compensação superior mais tarde. Quando percebem que foram enganadas, o dinheiro já foi transferido para contas controladas pelos burlões.
Operações fora da Europa apresentam risco muito superior
A localização geográfica continua a ser um dos fatores que mais influencia a probabilidade de fraude. O Banco de Portugal refere que as operações realizadas fora da União Europeia apresentam níveis de risco bastante mais elevados do que aquelas efetuadas em território nacional.
Além disso, o relatório aponta que a maioria dos casos está relacionada com a obtenção indevida dos dados do titular do cartão. Outra parte relevante das fraudes resulta da alteração das instruções de pagamento, fazendo com que os montantes acabem por ser enviados para destinatários diferentes dos pretendidos.
Segurança adicional reduz drasticamente as burlas
A utilização de mecanismos de autenticação reforçada continua a ser uma das formas mais eficazes de proteção. Sistemas que exigem uma confirmação adicional, como códigos enviados para o telemóvel, impressão digital ou reconhecimento facial, apresentam níveis de fraude significativamente inferiores aos das operações sem esse tipo de validação.
Ainda assim, existem muitas transações que continuam a ser realizadas sem medidas de segurança complementares, aumentando a exposição dos utilizadores a tentativas de fraude.
Esquema “Olá Pai, Olá Mãe” mantém-se entre os mais frequentes
Entre os golpes mais comuns identificados pelas autoridades continua a destacar-se o conhecido esquema “Olá Pai, Olá Mãe”. Neste caso, os burlões fazem-se passar por familiares e alegam estar perante uma situação urgente, pedindo transferências imediatas de dinheiro.
Também persistem mensagens falsas relacionadas com prémios, encomendas ou ofertas de emprego, estratégias que exploram a confiança e a boa-fé dos utilizadores.
O que fazer se suspeitar de uma fraude
Perante qualquer sinal de atividade suspeita, o Banco de Portugal recomenda que os titulares contactem imediatamente a sua instituição bancária para bloquear o cartão ou impedir novas operações.
Além disso, deve ser apresentada participação às autoridades competentes, nomeadamente à Polícia Judiciária, que dispõe de equipas especializadas na investigação de crimes informáticos e burlas financeiras.
A entidade reguladora lembra ainda que a prevenção continua a ser a principal ferramenta de defesa. Desconfiar de mensagens inesperadas, confirmar a identidade de quem faz pedidos de dinheiro e evitar partilhar códigos ou credenciais bancárias são medidas essenciais para reduzir o risco de cair nestes esquemas.
















