Um vírus que está a provocar a morte de pombos e rolas continua a espalhar-se em território português, depois de terem sido confirmados novos casos nos últimos dias. A situação está a ser acompanhada pelas autoridades, que reforçaram as medidas de prevenção para evitar que a doença passe das aves selvagens para as domésticas, numa altura em que já são várias as zonas afetadas.
O alerta foi feito esta quinta-feira, 20 de agosto, pelo Secretário Regional da Agricultura, António Ventura, através de uma publicação na sua página de Facebook.
Segundo o governante, foi confirmada a circulação do vírus da Doença de Newcastle em aves selvagens, sobretudo columbiformes, em seis ilhas dos Açores. Até há poucos dias, a presença da doença estava confirmada em apenas quatro.
Vírus já chegou a seis ilhas
António Ventura não revelou quais são as duas novas ilhas onde o vírus foi detetado. Até à semana passada, os casos estavam confirmados na Graciosa, Terceira, São Miguel e Pico.
Apesar do aumento do número de ilhas afetadas, não existe, até ao momento, confirmação laboratorial da Doença de Newcastle em aves de capoeira na Região Autónoma dos Açores.
A principal preocupação das autoridades passa agora por impedir que o vírus seja transmitido das aves selvagens para as domésticas. Para isso, estão a ser reforçadas medidas de vigilância, vacinação e biossegurança.
O que é a Doença de Newcastle?
A Doença de Newcastle é uma infeção vírica aguda e altamente contagiosa que afeta aves domésticas e selvagens. É causada pelo paramixovírus aviário tipo 1 e pode provocar doença grave e mortalidade entre determinadas espécies.
Nos Açores, a circulação tem sido detetada sobretudo entre pombos e rolas. O risco para a população em geral é considerado baixo, mas as autoridades recomendam que não sejam tocadas aves encontradas mortas, moribundas ou com sinais suspeitos.
O Governo Regional proibiu ainda a realização de feiras, mercados, exposições e outros ajuntamentos de aves, assim como a caça ao pombo, numa tentativa de reduzir as possibilidades de propagação da doença.
Espanha também regista dezenas de focos
A situação não se limita ao território português. Em Espanha, a Doença de Newcastle também se agravou nos últimos meses, com 38 focos registados entre dezembro de 2025 e 10 de agosto de 2026.
Os casos encontram-se distribuídos sobretudo por dois agregados geográficos, um em Castela e Leão e outro na Comunidade Valenciana. A maioria foi identificada em bandos de aves de capoeira não vacinados ou apenas parcialmente vacinados.
Ainda assim, 13 focos ocorreram em explorações com aves vacinadas, sendo os frangos e as galinhas poedeiras algumas das espécies mais afetadas.
DGAV deixa alerta em Portugal
Perante a evolução da doença, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) apelou ao reforço da vacinação de galináceos, perus e pombos e à adoção de medidas destinadas a impedir o contacto entre aves domésticas e selvagens.
As autoridades recomendam também o controlo das entradas e saídas de aves, pessoas e veículos nas explorações, bem como o reforço dos procedimentos de limpeza e desinfeção.
O vírus pode ser transmitido através de secreções e excreções de aves infetadas, mas também através de água, alimentos, equipamentos, vestuário, sacos, caixas de ovos ou outros materiais contaminados. Algumas estirpes podem ainda passar da ave progenitora para os descendentes através do ovo.
Quais são os riscos para os humanos?
Apesar de existir possibilidade de infeção em seres humanos, o risco é considerado baixo e os casos são raros. Quando ocorre, a doença tende a provocar sintomas ligeiros e de curta duração.
A conjuntivite é uma das manifestações mais frequentes, podendo surgir vermelhidão, irritação ou comichão nos olhos. Também podem aparecer sintomas semelhantes aos de uma gripe ligeira, incluindo febre baixa, corrimento nasal, dores de cabeça ou mal-estar geral.
Não existem registos de transmissão sustentada entre pessoas, pelo que a principal preocupação continua centrada na propagação entre aves. Qualquer suspeita da doença deve ser comunicada através da plataforma do SPC, Sistema de Prevenção e Controlo de Doenças em Animais, ou diretamente aos serviços da DGAV.
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