A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) emitiu um alerta para a atuação de indivíduos que se fazem passar por inspetores na região do Douro e Tâmega, contactando operadores económicos por telefone e exigindo pagamentos imediatos sob ameaça de encerramento do estabelecimento.
Segundo a ASAE, nos últimos dias foram registadas várias ocorrências em localidades do Norte do país, com referências a casos em Peso da Régua e Amarante. O padrão é semelhante: os suspeitos apresentam-se como inspetores e tentam criar um ambiente de urgência.
O argumento usado para justificar o contacto passa, em alguns casos, por supostas “inspeções preventivas” relacionadas com as recentes intempéries, uma explicação que procura tornar a abordagem mais credível junto de comerciantes e empresários.
Como funciona o esquema
O método descrito assenta numa tentativa de cobrança imediata de dinheiro, através de transferência bancária, referência Multibanco ou MB Way. A pressão é reforçada com ameaças, incluindo a possibilidade de encerramento do espaço caso o pagamento não seja feito.
A ASAE sublinha que estas situações configuram tentativas de burla e usurpação de funções públicas, com o objetivo de obter vantagens ilegítimas, aproveitando o receio de sanções e a vulnerabilidade associada a períodos de maior instabilidade.
O risco aumenta quando o contacto é inesperado e quando o interlocutor tenta limitar o tempo de decisão, empurrando a vítima para pagar “para evitar problemas”.
O que a ASAE garante que não faz
A Autoridade foi clara ao desmentir este tipo de abordagem. A ASAE reforça que não realiza contactos telefónicos para agendamento de inspeções e não exige pagamentos prévios, seja de inspeções, deslocações ou coimas.
A ASAE explica ainda que os seus procedimentos seguem trâmites legais e formais, pelo que não é pedido qualquer pagamento direto por telefone. Em suma, qualquer chamada com exigência de dinheiro imediata deve ser encarada como suspeita.
O alerta serve também para proteger a reputação da instituição e evitar que operadores económicos confundam tentativas de burla com ações legítimas de fiscalização.
O que fazer se receber uma chamada destas
A recomendação central é não efetuar pagamentos e não fornecer dados pessoais, bancários ou informação sobre o negócio. Em caso de dúvida, o mais seguro é encerrar a chamada e procurar confirmar por vias formais.
A ASAE apela à vigilância e recomenda a denúncia imediata de qualquer situação suspeita, sobretudo quando houver tentativa de cobrança por MB Way, referência Multibanco ou transferência.
Para comerciantes e empresas, a atenção deve ser reforçada em períodos de maior procura e agitação, quando há mais rotatividade e maior pressão operacional, o que facilita abordagens oportunistas.
Um alerta para toda a região
Embora o aviso mencione o Douro e Tâmega, a ASAE admite que este tipo de esquema pode surgir noutros pontos do país, pela facilidade com que é replicado. A principal defesa continua a ser reconhecer o padrão: telefonema inesperado, “inspeção preventiva” como pretexto, pedido de pagamento imediato e ameaça.
O essencial, segundo a Autoridade, é claro: inspeções não se “compram” por telefone e coimas não se resolvem com transferências imediatas.
















