Ao consumir os recursos naturais 73% mais depressa do que a Terra consegue regenerá-los, a humanidade entra esta quinta-feira, 30 de julho, em dívida ecológica, passando a viver, até ao final do ano, além da capacidade anual do planeta.
A data assinala o Dia da Sobrecarga da Terra, calculado pela organização internacional para a sustentabilidade Global Footprint Network. De acordo com os seus dados, o atual nível de consumo mundial equivale à utilização de 1,73 planetas Terra.
Entre as consequências desta pressão sobre os recursos naturais encontram-se a desflorestação, a erosão dos solos, a perda de biodiversidade e a acumulação de dióxido de carbono na atmosfera.
Portugal esgotou os recursos a 7 de maio
Portugal atingiu individualmente o seu dia de sobrecarga a 7 de maio, quatro dias depois da União Europeia no seu conjunto.
Isto significa que, caso toda a população mundial consumisse recursos naturais ao ritmo dos portugueses, a capacidade anual de regeneração do planeta teria sido esgotada nessa data.
A Global Footprint Network alerta que, se a sobrecarga continuar a aumentar aos níveis atuais, a dívida ecológica crescerá ao ritmo de 0,73 planetas por ano, agravando a concentração de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.
A organização estima que a dívida ecológica acumulada já corresponde a 20,6 anos de sobrecarga. Esse seria o tempo necessário para a Terra regenerar os recursos consumidos em excesso, caso essa recuperação fosse possível, cenário que a entidade considera improvável.
Zero propõe taxa sobre emissões e redução do consumo de carne
Para a associação ambientalista Zero, a “humanidade tem de acelerar o passo e promover as mudanças necessárias” para reduzir a utilização excessiva dos recursos do planeta.
Entre as medidas defendidas encontra-se a aplicação de uma taxa de cerca de 90 euros por tonelada de carbono a todas as atividades responsáveis pela emissão de gases com efeito de estufa.
De acordo com a associação, esta medida permitiria adiar em dois meses a entrada anual em dívida ecológica.
A redução para metade do consumo de carne, acompanhada pela sua substituição por uma alimentação vegetariana, poderia atrasar o Dia da Sobrecarga da Terra em 17 dias. Desse total, dez dias resultariam das emissões de metano evitadas.
A.Pinto / HDF
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