O nome pode causar alguma estranheza, mas a chamada “Cidade Morta” é um dos sítios arqueológicos que permitem recuar milhares de anos na história de Portugal. Fica em Penafiel e ocupa uma área de aproximadamente 22 hectares.
Trata-se do Castro de Monte Mozinho, um antigo povoado fortificado distribuído pelas freguesias de Galegos, Oldrões e Valpedre. Situado a cerca de 408 metros de altitude, é considerado um dos maiores povoados fortificados de época romana do Norte do país.
E há uma particularidade que torna o local ainda mais interessante para uma visita: não é preciso pagar entrada para percorrer as ruínas, de acordo com a Meteored.
Uma povoação com mais de dois mil anos
A história de Monte Mozinho terá começado entre o final do século I a.C. e o início do século I d.C., numa altura em que a presença romana transformava progressivamente o noroeste da Península Ibérica.
Os vestígios encontrados mostram precisamente a convivência entre tradições anteriores e as novas influências romanas.
Ainda são identificáveis casas circulares, associadas à tradição castreja, mas também construções de planta quadrada ou retangular. Ao longo do tempo, o povoado foi crescendo e passou a contar com diferentes zonas, ruas e estruturas defensivas.
Na zona superior existia uma acrópole delimitada por uma muralha, espaço que terá desempenhado diferentes funções para a comunidade que ali vivia.
Foi também nesta área que foram descobertas duas estátuas de guerreiros galaicos esculpidas em granito. As peças já não se encontram nas ruínas e estão atualmente associadas ao acervo do Museu Municipal de Penafiel.
Porque ficou conhecida como ‘Cidade Morta’?
A explicação para o nome é bastante mais simples do que pode parecer. Apesar de ter sido habitado durante vários séculos, o povoado acabou por ser abandonado.
Os vestígios arqueológicos apontam para uma ocupação que terá continuado, pelo menos, até ao século V. A partir daí, Monte Mozinho terá perdido progressivamente importância e os habitantes começaram a procurar outros locais para viver.
Não terá existido um momento único em que toda a população abandonou o povoado. O processo terá acontecido gradualmente, deixando para trás as casas, ruas e muralhas que hoje podem ser observadas.
Durante séculos, as estruturas permaneceram abandonadas no monte. As primeiras investigações modernas surgiram no início do século XX e as escavações arqueológicas começaram oficialmente em 1943.
Os trabalhos realizados posteriormente permitiram descobrir e estudar habitações, ruas e muralhas, além de diferentes objetos utilizados pelos antigos habitantes, entre os quais moedas e peças de cerâmica.
Pode visitar sem comprar bilhete
Atualmente, quem quiser conhecer a chamada “Cidade Morta” pode fazê-lo gratuitamente. O sítio arqueológico encontra-se ao ar livre e não é necessário reservar uma visita guiada ou comprar um bilhete para percorrer o espaço.
Existe também o Centro Interpretativo do Castro de Monte Mozinho, criado em 2004 e ligado ao Museu Municipal de Penafiel, pensado para explicar a história do povoado e contextualizar os achados arqueológicos.
De acordo com a informação citada pela Meteored, o espaço museológico encontra-se temporariamente encerrado, embora as ruínas a céu aberto possam continuar a ser visitadas.
Nas proximidades existem ainda estacionamento e um parque de merendas. Durante a visita, importa respeitar as estruturas arqueológicas e evitar caminhar, sentar-se ou subir sobre as ruínas.
Para quem procura um passeio diferente e gratuito, o Castro de Monte Mozinho permite assim caminhar por ruas e entre casas onde viveram comunidades há cerca de dois mil anos, sem sair de Portugal.















