A antiga joalheira, Betty Grafstein, voltou a falar sobre a relação com José Castelo Branco e descreveu em tribunal vários episódios de alegada violência doméstica. Aos 97 anos, afirmou ter sido agredida fisicamente e controlada pelo socialite durante o casamento.
O depoimento aconteceu por videochamada durante uma sessão do julgamento de José Castelo Branco, que começou a 25 de junho no Tribunal de Cascais.
Segundo a SIC Notícias, Betty relatou situações que, segundo afirmou, se repetiram durante vários anos. Entre as acusações estão agressões com murros, cujo resultado disse ter escondido recorrendo a maquilhagem.
“Deu-me socos na cabeça tantas vezes“
Durante o depoimento, Betty Grafstein afirmou que as agressões físicas aconteceram repetidamente e descreveu episódios em que José Castelo Branco lhe teria dado socos na cabeça.
A norte-americana alegou também que existia controlo sobre a forma como se apresentava em público. Segundo o seu relato, era obrigada a arranjar-se e a vestir-se de determinada forma.
Betty disse ainda que José Castelo Branco escolhia os sapatos que deveria utilizar e que, mesmo quando sentia dores ou desconforto, teria de usar saltos altos.
As acusações não se limitaram à violência física. Betty Grafstein relatou igualmente situações de alegado controlo e isolamento durante a relação.
Betty diz que foi afastada do único filho
Segundo o depoimento, José Castelo Branco tê-la-á proibido de falar com Roger, o seu único filho, o que acabou por provocar um afastamento entre mãe e filho.
Betty afirmou que Roger chegou a ter conhecimento de algumas das situações que alegadamente aconteciam no casamento. Contudo, disse ter deixado de lhe contar sobre as agressões por vergonha, numa altura em que os dois já se encontravam mais afastados.
Ao descrever como se sentia durante a relação, utilizou uma comparação particularmente forte: disse sentir-se como um “rato numa ratoeira”.
Segundo Betty, tinha a sensação de que não conseguia abandonar o casamento devido ao controlo que José Castelo Branco exerceria sobre diferentes aspetos da sua vida.
Amigos terão incentivado Betty a denunciar
Atualmente, Betty Grafstein encontra-se numa clínica em Nova Iorque. De acordo com a informação avançada durante o processo, está acamada e praticamente cega.
A antiga joalheira afirmou que só nos últimos anos começou a receber maior incentivo de um grupo de amigos para se afastar de José Castelo Branco e denunciar aquilo que diz ter vivido.
Esse afastamento ganhou força sobretudo depois do episódio que terminou com o seu internamento e que esteve na origem do processo que chegou aos tribunais.
Na mesma sessão foi também ouvida Marcella Fernandes, proprietária do espaço noturno Glitter’s Gallery e apontada como uma das testemunhas-chave do processo.
José Castelo Branco está a ser julgado no Tribunal de Cascais por alegados crimes de violência doméstica contra Betty Grafstein. As acusações relatadas pela antiga joalheira fazem parte do processo em julgamento, não correspondendo, nesta fase, a factos dados como provados por uma decisão judicial definitiva.
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