Num contexto de subida acentuada dos preços da carne, uma alternativa inesperada está a ganhar destaque na Argentina: trata-se de carne de burro, que esgotou em apenas dois dias num talho da Patagónia, despertando curiosidade e também alguma polémica entre consumidores.
A carne continua a ser um elemento central na alimentação de grande parte da população, sobretudo em países como a Argentina, onde o consumo per capita ultrapassa os 100 quilos por ano, colocando o país entre os maiores consumidores mundiais, a par dos Estados Unidos e da Austrália, de acordo com o jornal AS.
Perante o aumento contínuo do preço da carne de vaca, alguns comerciantes têm procurado alternativas mais acessíveis. Foi nesse contexto que um talho na região da Patagónia decidiu apostar na venda de carne de burro como opção para o tradicional churrasco argentino.
Vendas rápidas e preço mais baixo explicam o sucesso
A iniciativa acabou por surpreender. Segundo o jornalista Jason Mayne, “a dona do negócio garante que vendeu 500 quilos em apenas dois dias”, um resultado que demonstra a forte adesão por parte dos clientes.
Um dos principais fatores por detrás deste sucesso foi o preço. A carne de burro estava a ser vendida por cerca de metade do valor da carne de vaca, tornando-se uma opção mais económica numa altura em que os custos continuam a subir, conforme refere a mesma fonte.
Carne de vaca com aumentos significativos
O churrasco é uma das tradições mais emblemáticas da gastronomia argentina, mas o aumento dos preços tem vindo a alterar hábitos de consumo. Nos últimos 12 meses, o preço da carne de vaca registou uma subida próxima dos 70%, valor que ultrapassa largamente a inflação no país.
Só no mês de março, o aumento foi de cerca de 10%, o que tem levado consumidores e comerciantes a procurar alternativas que permitam manter esta tradição sem comprometer o orçamento familiar.
Diferença de preços e enquadramento legal
Atualmente, o preço médio do quilo de carne de vaca ronda os 18.500 pesos, o equivalente a cerca de 11,40 euros. Já a carne de burro foi vendida a cerca de 7.500 pesos por quilo, aproximadamente 4,6 euros, embora o valor tenha sido apresentado como promocional.
Do ponto de vista legal, a venda deste tipo de carne não está regulamentada a nível nacional na Argentina. Segundo a mesma fonte, para viabilizar a comercialização, foi necessário obter uma autorização provisória ao nível provincial.
Entre a curiosidade e a polémica
A iniciativa gerou interesse, mas também levantou questões sobre hábitos alimentares, regulamentação e aceitação por parte dos consumidores. Apesar disso, o rápido esgotamento demonstra que, perante preços elevados, muitos estão dispostos a experimentar alternativas menos convencionais.
Este caso reflete uma tendência mais ampla em tempos de inflação: a adaptação do consumo às novas realidades económicas, mesmo quando isso implica mudar tradições profundamente enraizadas.
Leia também: Tensão aumenta neste país europeu: chefe de Estado reforça segurança e está em “proteção máxima” por risco de golpe















