Mandar reparar um eletrodoméstico avariado pode tornar-se mais simples e mais barato na União Europeia (UE). As novas regras do chamado Direito à Reparação pretendem reduzir a substituição precoce de aparelhos e obrigar os fabricantes a facilitar o acesso a peças, manuais e serviços de reparação.
A mudança pode ter impacto direto no bolso dos consumidores, sobretudo em equipamentos como frigoríficos, aspiradores, torradeiras e outros eletrodomésticos de uso diário.
Segundo a Euronews, a União Europeia (UE) quer travar um problema que custa milhares de milhões de euros por ano aos consumidores e gera milhões de toneladas de resíduos.
Fabricantes terão de facilitar as reparações
Entre as principais alterações está a obrigação de conceber determinados aparelhos de forma a serem mais fáceis de desmontar e reparar.
As novas regras procuram reduzir o recurso a soluções que dificultam a abertura dos equipamentos, como colas ou componentes que só podem ser removidos com ferramentas específicas.
Em vários casos, os fabricantes terão de privilegiar parafusos e sistemas de montagem mais simples, permitindo que os aparelhos sejam reparados com maior facilidade.
Também ficam limitados os bloqueios de software que possam impedir a utilização de peças compatíveis ou a intervenção de técnicos independentes.
Peças e manuais terão de continuar disponíveis
Outra das mudanças importantes diz respeito ao período durante o qual os fabricantes terão de garantir o acesso a peças e informação técnica.
Em determinados produtos, as peças de substituição e os manuais de reparação terão de continuar disponíveis durante vários anos, podendo esse período chegar a uma década depois da colocação do aparelho no mercado.
A intenção é evitar situações em que uma pequena avaria obriga à compra de um equipamento novo simplesmente porque já não existem peças ou porque a reparação foi artificialmente dificultada.
Garantia pode aumentar se escolher reparar
Há também novidades para os aparelhos que ainda se encontram dentro do período de garantia.
Quando o consumidor optar pela reparação em vez da substituição do produto defeituoso, poderá beneficiar de uma extensão adicional de 12 meses da garantia.
A medida pretende tornar a reparação mais atrativa e reduzir a tendência para substituir imediatamente um equipamento sempre que surge uma avaria.
Se a reparação demorar demasiado tempo, as novas regras também preveem, em determinadas situações, o acesso temporário a um equipamento de substituição.
Reparar em vez de deitar fora
Os dados citados pela Euronews mostram que muitos consumidores europeus prefeririam reparar os seus equipamentos em vez de comprar novos, mas acabam por desistir devido ao preço ou à dificuldade de encontrar peças.
A UE estima que os bens de consumo descartados antes do fim da sua vida útil gerem dezenas de milhões de toneladas de resíduos todos os anos.
Com estas alterações, Bruxelas pretende reduzir esse desperdício e, ao mesmo tempo, diminuir os custos suportados pelas famílias quando um eletrodoméstico avaria.
As regras serão aplicadas progressivamente através da Diretiva do Direito à Reparação e de normas complementares de conceção ecológica, com diferentes obrigações consoante o tipo de produto.
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