As notas de euro vão mudar de imagem, mas o desenho da futura série ainda não está escolhido. O Banco Central Europeu (BCE) apresentou dez propostas finalistas, divididas entre a cultura europeia e a natureza, e abriu uma consulta pública antes de tomar a decisão prevista para o final de 2026.
As notas de euro preparam-se para entrar numa nova fase. O BCE revelou dez propostas de desenho para a próxima série e voltou a chamar os cidadãos europeus a participar numa decisão que deverá ficar fechada até ao final deste ano.
BCE reduziu a escolha a dez propostas
Os dez desenhos pré-selecionados foram apresentados pelo BCE a 23 de julho. Por enquanto, são apenas propostas: nenhum dos projetos corresponde ainda ao aspeto definitivo das futuras notas.
Christine Lagarde sublinhou que as notas representam muito mais do que o valor nelas impresso. Segundo a presidente do banco, são também uma das expressões mais visíveis da Europa, razão pela qual o novo desenho deverá juntar significado, segurança e uma identidade reconhecível.
Dois caminhos completamente diferentes
Os projetos dividem-se entre dois temas: “Cultura europeia” e “Rios e aves”. O primeiro apresenta figuras que marcaram a história do continente, acompanhadas por espaços e atividades culturais como escolas, bibliotecas, museus, festivais e praças públicas.
A segunda opção troca os retratos por paisagens naturais. Rios, cascatas, estuários e zonas costeiras surgem ao lado de aves como o guarda-rios e a cegonha-branca, enquanto o verso das notas estabelece uma ligação às instituições da União Europeia.
Não há nenhuma personalidade portuguesa
Se o tema cultural for escolhido, a nota de cinco euros poderá ter Maria Callas, enquanto Ludwig van Beethoven aparece associado à de dez euros. Marie Curie está reservada para os 20 euros e Miguel de Cervantes para os 50 euros.
Leonardo da Vinci surge na proposta para a nota de 100 euros e a pacifista austríaca Bertha von Suttner na de 200 euros. A seleção procura representar personalidades com projeção verdadeiramente europeia, embora não inclua qualquer figura portuguesa.
Mais de 1.200 criadores tentaram chegar à fase final
O caminho até estes dez projetos começou muito antes da apresentação pública. Em 2023, mais de 365 mil europeus participaram num inquérito sobre os temas que gostariam de encontrar na futura série. Foi dessa consulta que nasceram as duas opções agora em discussão.
O concurso de desenho foi lançado em julho de 2025 e recebeu mais de 1.200 candidaturas. Destas, 25 criadores foram convidados a desenvolver propostas completas. Um júri independente de 21 especialistas em áreas como design gráfico, história, comunicação e neurociências escolheu depois os dez finalistas, segundo o BCE.
Europeus podem dar a sua opinião até setembro
O banco central abriu um inquérito público para recolher as preferências dos cidadãos. O formulário está disponível nas 24 línguas oficiais da União Europeia e pode ser preenchido até 21 de setembro.
Não se trata de uma votação direta para eleger um vencedor. O objetivo é perceber a reação do público a cada proposta. Em paralelo, uma empresa independente realizará outro estudo junto de uma amostra representativa da população da área do euro.
Escolha do desenho será apenas o início
A decisão final deverá ser tomada pelo Conselho do BCE perto do final de 2026. Além da opinião dos cidadãos, serão consideradas as conclusões do júri e uma avaliação técnica destinada a perceber se cada proposta pode ser transformada numa nota segura, resistente e acessível.
O projeto escolhido terá ainda de ser aperfeiçoado e testado antes de entrar em produção. Será necessário introduzir elementos de segurança, adaptar pormenores para pessoas com dificuldades visuais e garantir que as notas resistem à utilização diária e às tentativas de contrafação.
Cores e valores deverão manter-se
O BCE pretende conservar as atuais denominações de 5, 10, 20, 50, 100 e 200 euros. A nota de 500 euros, cuja emissão terminou em 2019, não deverá regressar nesta nova série.
As dimensões e as cores dominantes também deverão permanecer próximas das atuais. Esta continuidade deverá facilitar o reconhecimento das notas e reduzir os custos de adaptação de caixas automáticas, máquinas de pagamento e equipamentos utilizados na contagem de numerário, esclarece o BCE.
Primeiras notas só deverão chegar na próxima década
Embora tenha sido apontado o início da década de 2030 como um horizonte possível, ainda não existe uma data oficial para o lançamento. O BCE confirma apenas que serão necessários vários anos entre a escolha do desenho e a chegada das primeiras notas às carteiras dos europeus.
Também não está decidido se todas as denominações serão apresentadas ao mesmo tempo. As séries anteriores foram introduzidas gradualmente, mas o calendário da futura emissão continua em aberto.
As notas que circulam atualmente não perderão o seu valor quando a nova série chegar. Continuarão a poder ser utilizadas ao lado das futuras, numa transição que marcará o primeiro redesenho integral das notas de euro desde a entrada da moeda física em circulação, em 2002.
















