Centenas de famílias manifestaram, em 48 horas, interesse no acesso a habitação cooperativa em Albufeira, anunciou a recém-constituída Albarda, CRL, que propõe construir a custos controlados, com financiamento dos próprios cooperadores e recurso a terrenos municipais.
Num comunicado enviado ao POSTAL este sábado, a cooperativa apresenta a iniciativa como uma resposta para trabalhadores e famílias da classe média cujos rendimentos considera demasiado elevados para aceder à habitação social, mas insuficientes para suportar os preços do mercado livre.
O levantamento ainda está em curso e as pré-inscrições correspondem apenas a manifestações de interesse, sem qualquer vínculo financeiro ou contratual com a entidade.
Quase metade dos inquiridos vive com familiares ou amigos
A análise preliminar divulgada pela Albarda indica que 45% dos inquiridos estão alojados em casa de familiares ou amigos. Outros 38% vivem em habitações arrendadas no mercado livre, com rendas que a cooperativa descreve como desajustadas à sua capacidade financeira.
Na informação enviada à redação, a entidade acrescenta que 96% dos inquiridos já residem e trabalham em Albufeira. Os trabalhadores por conta de outrem representam 76%, incluindo profissionais da restauração, do turismo, da saúde e do ensino.
No conjunto das respostas, 90% são trabalhadores no ativo. A procura concentra-se principalmente em habitações de tipologia T2 e T3.
Estes resultados dizem respeito às pessoas que responderam ao inquérito da cooperativa. O comunicado não indica o número exato de respostas nem apresenta elementos que permitam avaliar a representatividade do levantamento face à população do concelho.
Proposta prevê terrenos municipais e financiamento dos cooperadores
O modelo defendido pela Albarda assenta na construção a custos controlados em terrenos municipais cedidos em direito de superfície, com financiamento assegurado pelos cooperadores e enquadramento em linhas de apoio europeias e nacionais.
“A gravidade do problema exige respostas práticas. Não propomos um modelo de dependência do Estado, mas sim uma solução onde os cidadãos financiam a sua própria casa a preços controlados, suportados pela legislação em vigor”, afirma a cooperativa.
A utilização de terrenos municipais é apresentada como parte da proposta. O comunicado não identifica terrenos já cedidos, o número de habitações a construir, os preços previstos ou um calendário para as obras.
Albarda diz manter diálogo com o município
A cooperativa sustenta que os dados recolhidos servirão para ajustar a dimensão dos projetos às necessidades identificadas.
“Estes registos provam que a procura é real e premente. É com a legitimidade e factualidade destes dados que mantemos diálogo com o Município para dimensionar projetos rigorosos, e, sobretudo, realistas”, refere.
A Albarda afirma ainda que o modelo cooperativo foi apresentado a todos os candidatos à Câmara Municipal de Albufeira antes das últimas eleições autárquicas e que recebeu apoio unânime. Essa informação consta do comunicado, que não identifica os candidatos nem detalha os compromissos assumidos.
Como referência para a sua atuação, a entidade aponta a Associação de Moradores de Albufeira (AMA), à qual atribui a construção de 250 fogos no concelho entre as décadas de 1970 e 1980.
Formulário não implica compromisso financeiro
Constituída a 31 de agosto de 2026 e sediada em Albufeira, a Albarda apresenta-se como uma cooperativa multissetorial sem fins lucrativos, com prioridade na promoção do acesso à habitação própria e permanente. A sua atividade poderá abranger também consumo, cultura, ensino, serviços e solidariedade social.
A recolha de dados continua através do formulário de manifestação de interesse, cujo preenchimento tem uma duração estimada de cinco minutos. A cooperativa sublinha que a submissão não constitui uma adesão contratual nem gera obrigações financeiras.

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