Portugal possuía em finais de 2025, segundo o INE, cerca de 11,5 milhões de residentes. A revelação causou surpresa por existir um milhão de pessoas mais em relação ao valor estimado.
A Demografia é dos ramos mais relevantes da Sociologia, decisiva para a definição de políticas públicas e planeamento correcto de recursos.
Por outro lado, a Demografia Histórica é um ramo da demografia, a história da população e das mobilidades que integram a História de cada País ou região.

Sociólogo
Em Portugal, nas últimas décadas foi dada maior atenção à investigação sobre a genética, também à evolução e características populacionais do país.
Como evoluiu historicamente a população da Ibéria?
Em relação à Antiguidade peninsular sabe-se que ocorreram povoamentos de grupos étnicos dispersos, sem homogeneidade, gentes atraídas pelo clima ameno, ecossistemas naturais que ofereciam fertilidade de terras junto aos rios e estuários.
Durante o neolítico a população europeia terá aumentado quinze vezes.
A formação de Portugal do ponto de vista da organização territorial e social, economia e cultura, resulta da Hispânia romana. Cartago esteve na origem da vinda para a Península Ibérica no século III a.C. de legiões romanas e de agricultores.
No século V ocorreram invasões bárbaras, a unidade política romana transformou-se numa proliferação de reinos, a cultura e organização romanas permaneceram bem como a língua, o latim vulgar, na origem do português.
Quando emerge a Hispânia muçulmana, estima-se que existiriam na Península cerca de dois milhões de habitantes.
Nos séculos XII e XIII registou-se um aumento populacional significativo na Europa, relacionado com melhores produções agrícolas, períodos de paz, a população europeia entre o ano 1000 e 1340 terá passado de 25 para 56 milhões habitantes.
A devastadora Peste Negra no século XIV provocou enorme mortandade na Europa, cerca de 50 milhões de mortos, convulsões religiosas, fomes generalizadas,…
É difícil estimar quantitativos populacionais no período medieval por ausência de registos, necessidade de cruzamento de dados de diferentes origens, maior mobilidade das populações em direcção às cidades e migrações massivas.
Em meados do século XI mais de metade da superfície do futuro Portugal era muçulmana, no século seguinte foi fundado o novo Reino, com povoamento denso e disperso a norte, concentrado a sul, características que se mantiveram no tempo.
A união territorial teve consequências demográficas, aumento da mortalidade masculina devido às guerras de expansão e conquista. A miscigenação e integração diminuiu o fluxo de saídas, as políticas régias e eclesiásticas trouxeram para o território novos colonizadores francos, ordens religiosas e militares.
O arrolamento de “besteiros do conto” destinava-se a constituir a força militar do monarca, D. Dinis criou o seu próprio exército e a marinha do Reino com genoveses, esta esteve na génese da expansão marítima portuguesa dos séculos XV e XVI.
A Inquirição de Torres Vedras de 1309 foi uma contagem pioneira, realizou o cadastro da população residente quanto à naturalidade, profissões e rendimentos.
Os registos paroquiais constituíram bussola estatística, os dados foram obtidos com objectivos eclesiásticos, seguiram-se as inquirições régias, as mais antigas do tempo de Dom Afonso II.
D. João III mandou realizar em 1527 o primeiro numeramento geral do Reino, a população portuguesa rondava então 1,1 milhão de habitantes.
As viagens marítimas movimentaram regularmente cerca de 40 mil homens, a população residente e a produção agrícola diminuíram, muitos foram viver em terras recém-descobertas, nas ilhas atlânticas, Brasil e Índia. No século XVI houve várias pestes, em 1531 um devastador terremoto de grau 7 que atingiu Lisboa.
Portugal foi afectado por movimentos cíclicos, o número de saídas do Reino excedia as entradas, com breves períodos de recuperação.
É por isso difícil conceber um Império Ultramarino imenso com tão reduzido número de pessoas para colonizar as terras, à excepção do Brasil devido ao ouro, a penetração para o interior das colónias africanas ocorreu apenas no século XIX.
A rede de cidades e vilas nos primeiros tempos da modernidade era semelhante à rede medieval, verificou-se continuidade das redes viária e urbana dos romanos.
O urbanismo cresceu, mas apenas Lisboa e Porto possuíam mais de 2500 fogos, número que quintuplica até ao século XVIII.
Do ponto de vista da natalidade o número médio de filhos por mulher era superior a três, com frequência superava os seis, com elevada mortalidade nos partos.
No século XIX, os residentes no Reino duplicaram de 3 para 6 milhões, representou um aumento significativo, contudo, mantiveram-se profundas diferenças económicas e sociais, a estratificação e desigualdade definiram a marca do atraso do País.
Em 1900 a população no sector primário constituía 64% da população activa, a restante população empregava-se nos serviços e na indústria.
Ao longo do século XX a população portuguesa duplicou, passando de 5,4 milhões em 1900 para 10,6 milhões no início do século XXI.
Nas últimas décadas registou-se uma alteração nos fluxos migratórios, Portugal deixou de ser um País de emigrantes, começou a acolher trabalhadores estrangeiros por necessidades do próprio desenvolvimento, a população estrangeira representará neste momento cerca de 14% do total.
A situação demográfica portuguesa revela hoje envelhecimento, baixa da natalidade e da fecundidade, apena 1,4 filhos por mulher, sendo que a taxa de substituição de 2,1, a explicação é complexa, mudanças nas expectativas, novos comportamentos culturais, insegurança económica para famílias com mais filhos.
As políticas demográficas conjugadas com outras constituem prioridade nacional.
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
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