Quem vive em determinadas zonas do Algarve pode reparar, com o passar do tempo, em depósitos ou marcas esbranquiçadas na máquina de lavar roupa. Estes vestígios podem estar relacionados com o calcário presente na água, que tende a acumular-se sobretudo nas superfícies por onde circula água quente.
De acordo com o portal da organização de defesa do consumidor DECO PROteste, a água não é muito dura na maioria das regiões portuguesas. No entanto, existem exceções, entre as quais algumas zonas do Algarve, o Alentejo e parte da região Oeste, onde a concentração de minerais pode ser superior e favorecer este tipo de depósito.
O que são afinal estas marcas brancas?
O depósito esbranquiçado é constituído sobretudo por carbonato de cálcio e carbonato de magnésio. À medida que a água aquece e circula pelo equipamento, estes minerais podem acumular-se progressivamente em diferentes componentes da máquina.
Segundo a mesma fonte, a espessura desta camada pode aumentar ao longo do tempo e chegar a afetar os tubos de circulação, sobretudo os mais finos. A resistência elétrica também pode ficar coberta por calcário, dificultando a transferência do calor para a água.
Máquina pode começar a gastar mais energia
Quando a resistência fica revestida por estes depósitos, a máquina perde eficiência no aquecimento. Isso significa que pode necessitar de mais energia para atingir a temperatura selecionada durante o programa de lavagem.
A mesma fonte aponta ainda alguns sinais que podem levantar suspeitas de acumulação excessiva de calcário. Entre eles estão uma diminuição da capacidade de lavar corretamente a roupa, programas que passam a demorar mais tempo ou água que parece já não aquecer como anteriormente.
Lavar sempre a temperaturas elevadas pode agravar o problema
Uma das formas de prevenir a formação de calcário passa por evitar ciclos muito quentes quando estes não são necessários. A DECO aconselha, sempre que o tipo de roupa o permita, programas a temperaturas mais baixas, como 30 ou 40 graus.
Já quem vive numa zona com água dura e utiliza frequentemente ciclos a 60 ou 90 graus poderá ter maior necessidade de recorrer a produtos anticalcário. De qualquer forma, a sua utilização não é necessária de forma generalizada em todas as regiões do país.
Descalcificante pode ser necessário apenas algumas vezes por ano
Quando o calcário já se acumulou na resistência, os produtos descalcificantes podem ser utilizados para ajudar a removê-lo. A frequência depende dos hábitos de lavagem, da dureza da água e do tipo de detergente utilizado.
Quem lava habitualmente a baixas temperaturas e usa detergente líquido poderá precisar de uma descalcificação apenas uma ou duas vezes por ano. Em situações de água dura, detergente em pó e lavagens frequentes acima dos 40 graus, a utilização pode ter de ser mais regular, sempre respeitando as instruções do fabricante.
Vinagre e bicarbonato não são a solução perfeita
As alternativas caseiras também têm limitações. O portal acrescenta ainda que o bicarbonato de sódio pode ajudar a prevenir a acumulação de calcário na resistência, mas pode aumentar a concentração de minerais nos tecidos, escurecer a roupa e deixá-la menos macia.
O vinagre, por sua vez, pode apresentar algum efeito quando utilizado como descalcificante com a máquina vazia, mas a sua acidez pode anular a ação do detergente durante a lavagem. Quem quiser confirmar se a água da sua zona do Algarve é particularmente dura pode contactar diretamente a entidade responsável pelo abastecimento e consultar a concentração de carbonato de cálcio.
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