A Fortaleza de Sagres vai acolher este fim de semana dois eventos da 3.ª edição do Costa Vicentina Early Music Festival, associando-se às comemorações do Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e da Sua Abolição.
Segundo refere o comunicado enviado às redações, “a Fortaleza de Sagres, com as suas profundas ligações aos Descobrimentos, constitui um espaço privilegiado para refletir sobre a presença das comunidades africanas na sociedade portuguesa”.
O programa arranca no sábado, às 17:00, com o concerto comentado Forro ficamo — Sons Cativos, pelo Ensemble Antiquorum. Através de uma seleção de obras dos séculos XVI e XVII, o espetáculo “evidencia as sonoridades únicas criadas na Península Ibérica, fruto dos intercâmbios culturais da época e da importância da presença africana”.
Durante o concerto, intercalam-se peças que refletem diferentes momentos históricos e culturais — “desde a partida e desterro forçados, às ocasiões públicas de baile e festa, aos momentos de adoração ao divino cristão e pagão, até às expressões de desejo de liberdade”. A última peça termina com a frase forro ficamo (“que ficamos livres”), cantada por um coro de escravos.
No alinhamento estão géneros como as ensaladas negrinas e os vilancicos de negro, mas também composições mais solenes de Vicente Lusitano, considerado o primeiro compositor mestiço na história da música ocidental. Para contextualizar a audiência, o concerto contará ainda com breves comentários explicativos sobre cada momento musical.
O ensemble será composto por Joana Guiné (tiple), Fátima Nunes (tiple), Nuno Raimundo (alto e direção), Gabriel Neves dos Santos (tenor), Tiago Mota (baixo), Pedro Martins (alaúde, viola de mão e guitarra barroca), Iúri Oliveira (percussão) e Ana Sousa (viola da gamba e direção).
No domingo, 24 de agosto, às 14:00, realiza-se a oficina/performance Ponto Corrente, conduzida por Ana Celorico Machado, que “a partir das artes visuais, evoca a memória do tráfico de pessoas escravizadas e as suas marcas sociais e patrimoniais contemporâneas”. A atividade terá como base um conjunto de fotografias atuais tiradas na Fortaleza de Sagres e resultará numa exposição temporária.
Ainda no mesmo dia, às 16:00, terá lugar a palestra A presença e influência da música africana em Portugal no Renascimento, pelo musicólogo Nuno de Mendonça Raimundo, investigador do CESEM – Universidade Nova de Lisboa e co-diretor do Ensemble Antiquorum.
O Costa Vicentina Early Music Festival é promovido pela Corvo e a Raposa Associação Cultural, integrando-se no programa Fortaleza Cultural 2025..
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