Quando se fala em cibercrime, há um alvo que está a tornar-se cada vez mais valioso para os hackers e que muitos utilizadores desconhecem. Não se trata de palavras-passe nem de dados bancários, mas de uma informação digital que acompanha praticamente toda a navegação na internet e que pode dar acesso direto a contas pessoais sem que seja necessário descobrir qualquer código de acesso.
De acordo com a Executive Digest, mais de 52,4 mil milhões de cookies foram roubados ao longo de apenas um ano. Os dados indicam ainda que este tipo de informação surge 4,6 vezes mais frequentemente em bases de dados de material roubado do que palavras-passe, ficheiros e cartões de crédito juntos.
Os chamados cookies são pequenos ficheiros armazenados pelos navegadores de internet. A sua principal função é facilitar a experiência do utilizador, permitindo, por exemplo, que uma sessão permaneça iniciada entre visitas ao mesmo site ou que determinadas preferências sejam memorizadas automaticamente.
A informação que pode substituir uma palavra-passe
É precisamente essa conveniência que desperta o interesse dos cibercriminosos. Quando conseguem obter um cookie de sessão válido, os atacantes podem, em determinadas circunstâncias, aceder a uma conta sem necessidade de introduzir uma palavra-passe.
A técnica é conhecida como sequestro de sessão e consiste em utilizar um cookie roubado para assumir temporariamente a identidade digital do utilizador. Enquanto a sessão permanecer ativa, o criminoso pode navegar na conta como se fosse o seu legítimo proprietário.
Segundo Marijus Briedis, diretor de tecnologia da NordVPN, muitos ataques modernos deixaram de se concentrar exclusivamente na obtenção de palavras-passe. Em vez disso, os criminosos procuram aquilo que o responsável descreve como uma espécie de “chave digital” já validada pelos serviços online.
Google, Microsoft e redes sociais entre os mais visados
Os resultados da investigação mostram também que os serviços financeiros estão longe de ser o único objetivo dos hackers.
Entre as plataformas onde foram encontrados mais cookies comprometidos surgem alguns dos serviços digitais mais utilizados em todo o mundo. A lista inclui Google, Facebook e Microsoft, mas também plataformas de entretenimento e redes sociais como Netflix, YouTube, Instagram, Twitch, Reddit e Roblox.
A amplitude dos dados analisados sugere que qualquer conta associada a uma sessão ativa pode representar um potencial interesse para os atacantes, independentemente da sua natureza.
Um fenómeno à escala global
A investigação identificou casos de roubo de cookies em mais de 250 países e territórios. No caso de Espanha, os investigadores estimam que cerca de 699 milhões de cookies tenham sido comprometidos, o equivalente a uma média de 14,6 por habitante.
Outro dos aspetos que mais chamou a atenção dos especialistas foi o facto de mais de 96% das infeções analisadas terem ocorrido em dispositivos que já possuíam software de segurança instalado.
Os dados sugerem que a utilização de um antivírus, embora importante, pode não ser suficiente para travar determinados métodos de ataque atualmente utilizados pelos cibercriminosos.
Como reduzir os riscos
Entre as recomendações apontadas pelos especialistas estão o encerramento regular das sessões de utilizador, sobretudo quando existe suspeita de atividade anómala, bem como a limpeza periódica dos cookies e da memória cache do navegador.
A adoção de ferramentas capazes de identificar sessões comprometidas pode também ajudar a limitar os impactos de um eventual roubo. Segundo a mesma fonte, uma resposta rápida continua a ser um dos fatores mais importantes para reduzir os danos, uma vez que os cookies roubados perdem utilidade quando expiram ou são invalidados pelos serviços onde estão a ser utilizados.
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