A falta de experiência é uma das dificuldades mais comuns numa entrevista de emprego, sobretudo entre jovens candidatos. Uma orientadora laboral explica que responder simplesmente “aprendo rápido” pode não ser suficiente e sugere uma estratégia mais convincente.
“Não tem experiência para esta função. Porque deveríamos contratá-lo?”
A pergunta pode deixar muitos candidatos sem resposta, mas a orientadora laboral Elena Lucas defende que há uma reação que deve ser evitada: entrar em pânico, pedir desculpa pela falta de experiência ou limitar-se a dizer “aprendo rápido”.
Segundo explica numa publicação recuperada pelo site espanhol Noticias Trabajo, esta é uma resposta demasiado genérica e que provavelmente será utilizada por muitos outros candidatos. A alternativa passa por demonstrar, com exemplos concretos, por que razão as competências que já possui podem ser úteis naquela função.
Primeiro, fale das competências que já tem
Não ter desempenhado exatamente aquela profissão não significa não possuir competências relevantes.
Elena Lucas aconselha o candidato a identificar as chamadas competências transferíveis, ou seja, capacidades adquiridas noutros empregos, estágios, estudos, projetos ou atividades que também podem ser úteis na nova função.
Por exemplo, alguém sem experiência numa agência de marketing pode ter organizado eventos universitários, gerido orçamentos ou coordenado equipas. Nesse caso, pode destacar competências como organização, liderança ou gestão, em vez de se concentrar apenas na experiência que lhe falta.
Não diga apenas que aprende rápido: prove que já o fez
O segundo passo passa por demonstrar a capacidade de aprender e adaptar-se.
Em vez de afirmar simplesmente que aprende rapidamente, a especialista recomenda recordar uma situação concreta em que teve de dominar uma ferramenta, assumir uma responsabilidade nova ou adaptar-se a um contexto desconhecido.
Quem nunca teve um emprego pode recorrer a exemplos de estágios, trabalhos académicos, voluntariado ou projetos pessoais.
A diferença está em trocar uma promessa vaga por uma prova: em vez de dizer que consegue aprender, mostrar uma situação em que já conseguiu fazê-lo.
Mostre que percebe aquilo de que a empresa precisa
Há ainda um terceiro elemento que pode tornar a resposta mais forte: ligar as próprias competências às necessidades da empresa.
Segundo Elena Lucas, o candidato deve demonstrar que pesquisou a organização e percebe aquilo que esta procura naquele momento.
Se a vaga estiver relacionada, por exemplo, com redes sociais, não basta dizer que está motivado. Pode explicar que acompanha as tendências mais recentes, indicar competências que já possui nessa área e mostrar como poderá contribuir para melhorar os resultados da empresa.
Isto transforma a resposta de “não tenho experiência, mas…” para “não tenho esta experiência específica, mas tenho estas capacidades e sei como podem ser úteis aqui”.
Uma resposta pode seguir esta lógica
Perante a pergunta sobre falta de experiência, a resposta pode ser construída de forma simples:
Reconhecer que ainda não desempenhou exatamente aquela função, apresentar uma competência transferível comprovada por um exemplo, explicar como já demonstrou capacidade de aprendizagem e terminar relacionando essas características com aquilo de que a empresa necessita.
A especialista defende que esta abordagem ajuda o candidato a destacar-se face a respostas mais genéricas e mostra também preparação e interesse real pela vaga.
Assim, a falta de experiência não precisa de ser escondida. O objetivo passa antes por demonstrar que experiência profissional direta e capacidade para desempenhar uma função não são necessariamente a mesma coisa.















