A época da Black Friday voltou a colocar práticas comerciais sob escrutínio e uma das empresas envolvidas é a FNAC, acusada de “inflacionar preços” e praricar “falsas promoções” durante as campanhas promocionais.
A denúncia foi apresentada pela associação de defesa do consumidor Citizen’s Voice e, de acordo com o Notícias ao Minuto, já chegou ao Juízo Central Cível de Lisboa. O processo baseia-se num exemplo concreto que ganhou destaque depois de revelado pela CNN Portugal.
A FNAC foi questionada pelo Notícias ao Minuto sobre o caso, mas optou por não comentar enquanto o processo decorre. A empresa respondeu apenas que “tendo em conta que o tema está a ser tratado em sede própria, a FNAC entende não ser oportuno pronunciar-se sobre esta matéria”.
Um produto que ficou mais caro durante a promoção
No centro da controvérsia está uma câmara fotográfica. Segundo a Citizen’s Voice, “obtivemos provas de que, durante este período da Black Friday, a FNAC apresentou uma promoção para uma câmara fotográfica que, na verdade, custava mais 10,99 euros do que o preço original”.
A organização garante que o preço do produto esteve nos 89 euros entre 1 de setembro e 19 de novembro de 2025. Contudo, já no âmbito da campanha Black Friday FNAC 2025, o valor teria sido aumentado para 99,99 euros, apresentado em simultâneo como “preço promocional”.
Na ação popular, à qual a CNN Portugal teve acesso, a Citizen’s Voice afirma ainda que a empresa tem “sistematicamente, anunciado e publicitado falsos descontos nas suas lojas para uma grande variedade de produtos”.
O presidente da associação, Otávio Viana, reforçou em declarações ao mesmo canal que a intenção é “mostrar que as empresas, neste caso a FNAC, não atuam de forma honesta perante os consumidores nestas alturas de anúncios de grandes descontos como a Black Friday, período em que está estatisticamente provado que há mais consumidores a comprar produtos nas suas lojas”.
Para o responsável, “este fenómeno de inflacionar preços para simular um maior desconto não é exclusivo a este produto, são muitos mais”.
A DECO PROteste confirma tendência no mercado
Num contexto mais amplo, a DECO PROteste já tinha alertado para situações semelhantes. De acordo com a publicação, existem “supostos descontos” em produtos que, há menos de um mês, estavam mais baratos. A organização analisou várias lojas online e concluiu que, apesar de existirem boas oportunidades, nem todas as promoções respeitam a legislação em vigor sobre preços e campanhas.
No seu relatório, a DECO PROteste lembra que a “Black Friday inaugura a época de compras natalícias com campanhas de descontos que começam cada vez mais cedo”. Nos dias 3 e 4 de novembro, a associação avaliou o arranque das campanhas e encontrou “vários descontos que contornam a lei das promoções”.
Consumidores cada vez mais atentos
Com esta ação a avançar para tribunal, o debate sobre transparência nas campanhas promocionais ganha novo fôlego.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o caso poderá influenciar futuras comunicações de preço, sobretudo num período em que os consumidores procuram aproveitar baixas de valores que nem sempre correspondem ao que aparentam.
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