Um novo relatório europeu voltou a colocar Lisboa no centro do debate sobre o custo de vida, revelando que a capital portuguesa é a cidade da União Europeia onde a fatia do salário médio destinada à renda é mais elevada. A conclusão, confirmada por dados oficiais, tem gerado grande impacto nas redes sociais.
De acordo com o Polígrafo, a discussão começou com uma publicação no Instagram que ordenava várias cidades europeias consoante a percentagem do salário médio necessária para pagar habitação. Entre os valores apresentados, destacou-se o caso de Lisboa, na cidade portuguesa a renda média representa 116% do salário médio.
O número, que parece quase impossível à primeira vista, levou muitos utilizadores a questionar a veracidade da lista. No entanto, o relatório que lhe dá origem existe mesmo e foi publicado pelo Conselho da União Europeia em outubro de 2025.
Lisboa isolada no topo do ranking
O documento analisou dados de 22 cidades europeias e concluiu que Lisboa é a única onde o custo médio da renda supera o valor do salário médio mensal. Nenhuma das restantes localidades se aproxima de um cenário semelhante.
A base estatística utilizada no relatório é do Instituto de Investigação do Deutsche Bank, que recolhe dados sobre rendimento, habitação e custo de vida em vários países. A combinação destes indicadores permitiu traçar um retrato claro da pressão financeira que pesa sobre quem vive na capital portuguesa.
De acordo com os mesmos números, Barcelona e Madrid surgem logo atrás no ranking, ambas com 74%. Seguem-se Milão (72%), Roma (65%) e Dublin (62%), todas elas grandes cidades europeias onde o custo de vida tem vindo a aumentar.
Redes sociais amplificam o alerta
A lista circulou rapidamente nas plataformas digitais, sobretudo porque Lisboa aparece destacada numa posição pouco habitual: não apenas acima das restantes cidades, mas num patamar totalmente isolado.
Segundo a mesma fonte, a diferença entre Lisboa e o restante pódio, mais de 40 pontos percentuais, ajudou a acentuar o debate. Muitos utilizadores partilharam experiências pessoais sobre as dificuldades em encontrar habitação acessível ou em equilibrar orçamento e despesas fixas.
A publicação original no Instagram corresponde quase integralmente aos dados constantes no relatório, embora este apresente uma versão mais extensa, com mais cidades incluídas.
Pressão continua a aumentar
Apesar de o relatório se referir ao ano de 2025, várias análises realizadas ao longo do ano sugerem que a tendência se mantém, com a pressão sobre o mercado de arrendamento a intensificar-se. Lisboa registou aumentos significativos nas rendas ao longo dos últimos anos, acompanhados por um crescimento mais lento dos salários.
Para muitas famílias, a discrepância entre rendimento disponível e custo de habitação tem representado um peso cada vez mais difícil de suportar. O valor de 116% mostra que, em média, o salário não cobre sequer as despesas de arrendamento, obrigando a recorrer a rendimentos adicionais.
Este cenário coloca Lisboa entre as cidades com maior risco de perda de acessibilidade habitacional na Europa, um alerta repetido por várias entidades nacionais e internacionais.
Um desafio estrutural
A capital portuguesa continua a atrair residentes, turistas e investimento estrangeiro, mas o equilíbrio entre oferta e procura de habitação permanece frágil. O relatório do Conselho da União Europeia reforça a ideia de que será necessária uma intervenção estrutural para estabilizar o mercado.
Apesar de alguns programas de arrendamento acessível terem sido lançados nos últimos anos, a sua escala continua insuficiente face à dimensão do problema. Para muitos residentes, sobretudo jovens e famílias de classe média, viver em Lisboa torna-se cada vez mais difícil.
De acordo com o Polígrafo, os números europeus agora divulgados voltam a sublinhar a urgência desta discussão e mostram que a capital portuguesa enfrenta um desafio que já ultrapassou fronteiras nacionais.
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