Após Gianni Infantino ter desistido da criação de uma empresa da FIFA aberta a capital privado, a UEFA anunciou este sábado, 1 de agosto, que perdeu a confiança no dirigente, acusando-o de falhar as promessas de transparência e de utilização das receitas em benefício do futebol.
“A atual liderança da FIFA não só perdeu a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros da família do futebol”, afirmou o organismo que tutela a modalidade na Europa, em comunicado.
A posição foi divulgada poucas horas depois de Infantino ter recuado na proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma empresa destinada a gerir as atividades comerciais e os eventos da entidade máxima do futebol mundial.
O projeto previa a entrada de investidores privados com uma participação minoritária até 20%, entre os quais um irmão do genro do Presidente norte-americano, Donald Trump.
UEFA recupera promessas feitas em 2016
Na sua reação, a UEFA recordou as declarações feitas por Gianni Infantino quando foi eleito presidente da FIFA, em 2016.
Na altura, o dirigente prometeu transparência na gestão do organismo e garantiu que os seus recursos financeiros seriam utilizados exclusivamente para desenvolver o futebol.
“O dinheiro da FIFA é o vosso dinheiro. Não é o dinheiro do presidente da FIFA. É o vosso dinheiro. Vocês são as associações nacionais e o dinheiro da FIFA tem que servir para o desenvolvimento do futebol e nada mais”, afirmou então Infantino, numa declaração agora recuperada pela UEFA.
O organismo europeu considera que o presidente da FIFA não cumpriu nenhuma das duas promessas.
“Em relação a ambas as promessas, falhou. O acordo obscuro, feito nos bastidores e sem transparência, que arquitetou e tentou impor, foi tudo menos transparente”, acusou.
A UEFA criticou igualmente a gestão das reservas financeiras da FIFA, superiores a cinco mil milhões de dólares, considerando que o dinheiro não tem sido utilizado suficientemente em benefício das federações nacionais e do desenvolvimento da modalidade.
UEFA quer libertar verbas para os 211 países membros
O organismo europeu defendeu que as reservas acumuladas devem começar a ser aplicadas no futebol de formação e no desenvolvimento geral da modalidade.
A UEFA afirmou querer “começar a utilizar o dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial que o futebol de formação e o futebol em geral necessitam em cada um dos 211 países membros na FIFA”.
A entidade anunciou também a intenção de trabalhar com as restantes confederações mundiais para avaliar o processo que conduziu à apresentação da proposta e impedir que uma situação semelhante volte a ocorrer.
No comunicado, agradeceu às federações, aos primeiros-ministros e aos chefes de Estado que se pronunciaram contra o projeto e demonstraram que “o futebol não está à venda”.
“Esta é uma vitória para todo o futebol, mas não pode ser o fim da história. A proposta caiu. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas a começar”, concluiu a UEFA.
Infantino reconhece que projeto provocou divisões
Gianni Infantino anunciou durante a madrugada deste sábado que desistiu da criação da FIFA Forward Enterprise.
“Depois de ter ouvido atentamente todos os pontos de vista, tornou-se claro que o projeto criou divisões (…), que já não servem o objetivo inicial”, reconheceu o presidente da FIFA, em comunicado.
O recuo acontece numa altura em que Infantino se encontra numa posição fragilizada, depois da recente demissão do seu principal conselheiro, Carlos Cordeiro.
A.Pinto / HDF
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