Carregar um automóvel elétrico em casa pode ficar quase a metade do preço de utilizar um posto da rede pública. Nas contas apresentadas pela Galp, um carregamento de 35,5 kWh custa 7,81 euros numa instalação doméstica, enquanto na rua o valor pode chegar aos 14,36 euros para a mesma quantidade de energia.
Os dados são citados pelo portal automóvel AutoGear e sabe-se que o primeiro cálculo parte de um preço doméstico de 0,22 euros por kWh. Nesse cenário, os 35,5 kWh representam um custo de 7,81 euros e permitem chegar a um valor estimado de 2,60 euros por cada 100 quilómetros percorridos.
Na rua, o mesmo carregamento pode custar 14,36 euros
A diferença aparece porque, na rede pública, o automobilista não paga apenas a energia consumida. Ao preço da eletricidade juntam-se a tarifa cobrada pelo operador do posto, as tarifas de acesso às redes, impostos e outras componentes aplicáveis ao carregamento.
No exemplo citado pela publicação, os mesmos 35,5 kWh atingem os 14,36 euros. Desse total, cerca de 4,05 euros correspondem ao operador do posto e aproximadamente 2,50 euros a impostos e ao Imposto Especial de Consumo. O preço final concreto pode, contudo, variar consoante o comercializador, o posto utilizado e a respetiva potência.
Carregar em casa funciona como outro consumo da habitação
Quem tem condições para carregar o veículo numa instalação privada não necessita obrigatoriamente de contratar uma tarifa específica de mobilidade elétrica. Segundo a ERSE, a energia utilizada pela viatura é tratada como qualquer outro consumo elétrico da habitação e faturada pelo respetivo comercializador.
O custo dependerá, por isso, do contrato de eletricidade de cada família e do preço efetivamente pago por kWh. Os 7,81 euros apresentados pela Galp são uma simulação baseada nos 0,22 euros por kWh e não um preço fixo aplicável a todas as casas portuguesas.
Tomada convencional pode demorar bastante mais
Outra diferença está no tempo necessário para recuperar autonomia. Uma tomada doméstica convencional pode disponibilizar uma potência próxima dos 2,3 kW, enquanto uma wallbox pode permitir potências bastante superiores, dependendo da instalação elétrica e do próprio veículo.
A EDP Comercial apresenta soluções que podem atingir os 22 kW em instalações trifásicas. Segundo a empresa, recuperar energia equivalente a 100 quilómetros pode demorar entre cerca de 40 minutos e quatro horas nas soluções de maior potência, dependendo sempre das características do automóvel.
Postos rápidos podem aumentar ainda mais a fatura
Na rede pública, a velocidade do carregamento também influencia o preço. A MOBI.E divide os equipamentos em postos normais, com potência inferior a 7,4 kW, semirrápidos, entre 7,4 e 22 kW, rápidos, entre 22 e 150 kW, e ultrarrápidos, a partir dos 150 kW.
Um exemplo disponibilizado pela EDP mostra essa diferença. Um carregamento de 17 kWh num posto normal até 22 kW é apresentado com um custo ilustrativo de 7,48 euros, enquanto num posto rápido de 50 kW sobe para 8,50 euros. A parcela destinada ao operador passa de 2,29 para 3,12 euros.
Uma das tarifas da MOBI.E desceu em 2026
Este ano houve, porém, uma redução numa das componentes associadas à rede. A tarifa de gestão cobrada pela MOBI.E aos comercializadores e operadores passou de 0,1572 euros por carregamento em 2025 para 0,1088 euros em 2026, o que corresponde a uma descida de 30,8%.
O impacto dessa redução no preço pago pelo condutor é relativamente limitado, uma vez que, segundo a MOBI.E, estas tarifas representam entre 3% e 4% do custo final. Assim, os valores de 7,81 euros em casa e 14,36 euros na rede pública mostram sobretudo como o local, o operador e as várias componentes tarifárias podem alterar significativamente quanto custa colocar a mesma quantidade de energia num automóvel elétrico.
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