Durante os primeiros três meses de exibição em Veneza, a exposição “XIV Steps”, de Pedro Cabrita Reis, recebeu cerca de 7.800 visitantes, anunciou a assessoria oficial do artista.
Inaugurada em maio, em paralelo com a 61.ª Bienal de Arte de Veneza, a mostra reúne 14 pinturas inéditas inspiradas na Via Sacra e estabelece um diálogo com a história da pintura europeia.
A exposição ficará patente até 22 de novembro no Magazzino del Sale 3, em Veneza, integrando o programa paralelo da Bienal.
Segundo o comunicado divulgado, a afluência registada “confirma a forte adesão do público a um projeto independente do artista português”.
Mostra propõe leitura contemporânea da Via Sacra
A iniciativa é organizada pelo artista em colaboração com a Academia de Belas-Artes de Veneza e a Venice Art Factory, fora da representação oficial portuguesa, que apresenta o projeto “RedSkyFalls”, de Alexandre Estrela, com curadoria de Ana Baliza e Ricardo Nicolau, instalada no Palacio Fondaco Marcello, no centro histórico de Veneza.
A exposição “XIV Steps” — uma “visão pessoal” de Cabrita Reis da Paixão de Cristo — é composta por 14 dípticos de grande formato inspirados nas estações da Via Sacra, proposta que o artista define como uma reflexão sobre a história da pintura europeia.
Em entrevista à agência Lusa pouco antes da inauguração, o artista explicou que a escolha da temática da Via Sacra não resultou de uma motivação religiosa, mas do interesse pela tradição pictórica europeia.
“Esta temática interessa-me, não necessariamente por motivos de ordem teológica ou religiosa, mas porque é um tema transversal na História da pintura europeia, e a mim o que me interessa enquanto artista é refletir única e exclusivamente sobre a História da Pintura”, afirmou.
Os 14 dípticos executados a óleo correspondem às estações da Paixão de Cristo, propondo uma leitura contemporânea da Via Sacra enquanto reflexão sobre a violência, a condição humana e a possibilidade de redenção.
A exposição é descrita pelo artista como uma visão contemporânea desta “Paixão”, entendida simultaneamente como sofrimento e entrega, e, ao mesmo tempo, como reflexão sobre a condição humana ligada à opressão e necessidade de superação e redenção.
“É uma história de horror e de paixão, de dor, também aqui entendida como uma dádiva que é consubstanciada na morte. Estas pinturas trazem murmúrios de uma história antiga e, através deles, chega-nos um grito contemporâneo de recusa perante a perpetuação da violência e da aniquilação da esperança”, considerou o artista nascido em 1956, uma das figuras mais influentes e internacionais da arte contemporânea portuguesa.
Artista soma sexta participação em Veneza
Na altura, o artista rejeitou igualmente a ideia de um regresso à pintura: “Não é um regresso à pintura, é uma continuação do que eu sou estruturalmente. Eu sou um pintor que também faz esculturas, e sou na verdade um artista de prática multidisciplinar”, disse à Lusa.
Nascido em Lisboa, mas com fortes ligações ao Algarve, onde reside, Pedro Cabrita Reis é uma das figuras mais reconhecidas da arte contemporânea portuguesa, com uma carreira de cinco décadas.
O seu trabalho integra coleções internacionais como a Tate Modern, em Londres, o Centro Pompidou, em Paris, o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madrid, o Museu Tamayo de Arte Contemporânea, na Cidade do México, e a Art Gallery of Ontario, no Canadá.
Esta é a sexta presença do artista em Veneza durante a Bienal, depois de participações oficiais e projetos independentes, entre os quais a representação portuguesa em 2003 e as intervenções “A Remote Whisper”, em 2013, e “Field”, em 2022.
Em 2024, Pedro Cabrita Reis apresentou em Lisboa a exposição retrospetiva “Atelier”, dedicada a cinco décadas de criação artística, reunindo cerca de 1.500 obras e atraindo mais de 17 mil visitantes.
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