O Teatro das Figuras, em Faro, recebe nos dias 16 e 17 de janeiro a estreia de “Vidro Pantera – Estilhaços de Heiner Müller”, um espetáculo que presta homenagem ao dramaturgo alemão no 30.º aniversário da sua morte, anunciou a produção.
Cocriada e produzida pelo Teatro de Ferro e pela Alma d’Arame, definidas como “duas estruturas inventivas do teatro de marionetas e objetos em Portugal”, a obra reúne em palco “teatro, manipulação, cinema e canto”, explorando o universo de “um dos autores mais influentes do teatro europeu”, três décadas após a sua morte, refere a produção em comunicado.

“Vidro Pantera – Estilhaços de Heiner Müller” conta com encenação de Igor Gandra, cenografia de Amândio Anastácio, música de Carlos Guedes e apoio à dramaturgia de Miguel Ramalhete Gomes, apresentando-se como uma “abordagem caleidoscópica ao legado” do autor germânico.
Segundo o encenador Igor Gandra, citado no comunicado, “decidimos criar um espetáculo-visita-guerra-relâmpago ao universo de Heiner Müller. Fragmentos da sua poesia e do seu teatro vão animar corpos, espaços, objetos, máscaras e até marionetas. Aristocratas e ditadores, soldados, amantes, vivos e mortos dialogam com figuras maiores da mitologia e da cultura europeia numa tensão este-oeste que Heiner Müller tão bem soube sintetizar”.
Faro vai acolher a estreia de um “espetáculo feito de estilhaços, de pedaços de textos”
O Teatro das Figuras – Teatro Municipal de Faro vai acolher a estreia de um “espetáculo feito de estilhaços, de pedaços de textos”, que propõe um “caminho entrecortado e caleidoscópico” para, segundo Igor Gandra, o espectador “descobrir um Müller que é simultaneamente autor e ator nos dramas que escreveu e viveu”.
A produção salientou também a importância da cenografia de Amândio Anastácio para “reforçar a dimensão visual e material do espetáculo” e criar “um espaço habitado por camadas, ruínas e metamorfoses”.
“A música original de Carlos Gomes acompanha esta construção atmosférica, enquanto o apoio à dramaturgia de Miguel Ramalhete Gomes assegura a ligação entre os diferentes fragmentos textuais escolhidos da vasta obra de Müller”, realçou a produção.
A Alma d’Arame e o Teatro de Ferro levam assim à sala de teatro algarvia “uma abordagem contemporânea à herança de Heiner Müller”, cuja escrita “continua a ecoar, com rara intensidade, no teatro do século XXI”, quando se assinalam 30 anos sobre a sua morte, considerou ainda a produção.
Heiner Müller nasceu em 1929 e morreu em 1995, começou o seu trabalho literário na antiga República Democrática Alemã e foi um dos mais reconhecidos dramaturgos de língua alemã da segunda metade do século XX.
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