Nascido e criado no Algarve, Alexandre Cabrita cresceu entre os aromas e ritmos de uma padaria familiar, muito antes de fazer da cozinha a sua profissão. O percurso levou-o por alguns dos restaurantes de referência do Algarve e colocou-o ao lado de chefes, como João Oliveira, no Vista, e Louis Anjos, no Al Sud, no Palmares Ocean Living & Golf.
Em 2025, o seu nome ganhou ainda maior projeção ao ser distinguido como Chefe do Ano, o mais antigo concurso de cozinha para profissionais em Portugal. O júri premiou um menu em que a gastronomia portuguesa e os produtos nacionais assumiram o papel central, com propostas como açorda de tomate e espargos, bacalhau com grão, borrego com cenoura algarvia e uma sobremesa de laranja, azeite e poejo.
Hoje com apenas 30 anos, Alexandre Cabrita está à frente do Preceito, restaurante que abriu este ano depois do encerramento do Al Sud, a 15 de novembro de 2025. A sua cozinha mantém uma ligação próxima ao território: o peixe chega do Mercado de Lagos e as ostras vêm diretamente da Ria de Alvor. É neste cruzamento entre a formação adquirida ao longo do percurso profissional, as memórias de infância e os produtos do Algarve que o Chefe Alexandre Cabrita partilha algumas curiosidades sobre a forma como encara o trabalho e os tempos livres.

Postal: Como é que chegou ao mundo da cozinha?
Alexandre Cabrita: Quando estava no ensino secundário não sabia bem o que é que queria fazer, mas em casa já gostava de cozinhar. Eram momentos de descoberta e isso motivou-me a seguir esta área. Os meus avós paternos também tinham uma padaria em São Bartolomeu de Messines e eu com 4 ou 5 anos já ia lá ajudar e penso que estar nesse ambiente também influenciou.
Que projeção lhe deu o prémio de Chefe do Ano que ganhou em 2025?
Eu continuo a ser a mesma pessoa, com os mesmos valores e a mesma maneira de pensar, mas mudou a forma como os outros olham para mim. Antes as pessoas não sabiam quem eu era e se calhar agora já sabem. Foi o resultado de muito trabalho feito para trás e não apenas naquele ano.
Qual é a sua especialidade na cozinha?
Apesar de ter dois ou três pratos com a minha assinatura na carta do Preceito, neste momento o prato que eu tenho mais associado é o borrego com cenoura algarvia, que foi a proposta que apresentei na final do concurso Chefe do Ano, em 2025.

Enquanto cliente, que restaurantes costuma de frequentar?
Depende muito do que eu quero comer. Quando procuro uma comida de conforto, mais caseira, gosto de ir à vila de Monchique. Por exemplo, eu estagiei também no Restaurante F, em Portimão, e gosto muito de ir lá. Fiquei amigo do proprietário e do Chefe e vou lá muitas vezes. Também há a Casa Zé Luís, que é aquele restaurante com preços acessíveis onde se come um bom peixe grelhado.
Que plano faria para um dia de folga em família no Algarve?
Gosto muito de ir para Cacela Velha e Tavira. Por isso, acho que passava primeiro por Cacela, seguia para Tavira e ainda ia comer ao restaurante da Noélia. Por acaso, já fiz este programa há tempos.

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