A eletrificação integral da Linha do Algarve, em funcionamento desde 19 de julho, foi saudada pelo CDS-PP Algarve, que considera, contudo, que a modernização da ferrovia regional está longe de concluída e exige novas ligações ao aeroporto, aos centros urbanos, ao litoral, a Lisboa e ao sul de Espanha.
Na avaliação do partido, a conclusão da eletrificação permite ao Algarve dispor de uma infraestrutura ferroviária mais moderna, sustentável e eficiente, com maior oferta e capacidade, melhores condições de conforto e uma mobilidade mais competitiva entre Lagos e Vila Real de Santo António.
Apesar de reconhecer a importância do investimento, o CDS-PP defende que este deve ser encarado como o início de uma nova etapa, após décadas de reduzida aposta na ferrovia algarvia.
“Este dia 19 de julho foi um bom dia para o Algarve, mas seria uma leviandade achar que o trabalho está feito. Este passo era o mínimo que se exigia depois de décadas com pouco investimento. Não é o ponto de chegada, é sim o ponto de partida”, afirma Rodrigo Borges de Freitas, presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP Algarve.
Ligação ao aeroporto e estação intermodal
Entre as principais lacunas apontadas pelo partido está a inexistência de uma ligação ferroviária ao Aeroporto Internacional Gago Coutinho e entre esta infraestrutura e Faro, considerada estratégica para a cidade e para toda a região.
O CDS-PP recorda que, durante as eleições autárquicas de 2025, o partido e o PSD defenderam uma ligação ferroviária ao aeroporto, à Universidade do Algarve e ao Parque das Cidades.
A solução proposta deveria incluir a construção de uma estação intermodal no Patacão ou, preferencialmente, no próprio Parque das Cidades, permitindo articular a ferrovia com autocarros, ciclovias e transporte individual num centro de mobilidade de dimensão regional.
Partido quer linha mais próxima do litoral e das cidades
O comunicado defende igualmente a expansão da rede ferroviária aos principais polos turísticos e habitacionais do litoral algarvio, identificando Quarteira, Vilamoura, Quinta do Lago, Vale do Lobo, o centro de Albufeira, Altura, Monte Gordo e o centro de Loulé como locais que deveriam beneficiar de melhores ligações.
O objetivo, sustenta o CDS-PP, seria proporcionar alternativas de mobilidade mais eficientes aos milhares de residentes, trabalhadores e visitantes que se deslocam diariamente nestas zonas.
O partido considera ainda prioritário melhorar a articulação entre a linha ferroviária e os centros urbanos de Silves, Monchique e Vila do Bispo, através de ligações de transporte eficazes e de soluções integradas que aproximem pessoas, empresas e serviços.
Outra das exigências é a eliminação dos troços que permanecem em via única. O CDS-PP entende que essa intervenção permitiria reduzir os tempos de viagem, aumentar a capacidade da linha e reforçar as ligações do Algarve a Lisboa, Évora e Beja, tornando o transporte ferroviário uma alternativa mais competitiva à deslocação rodoviária.
Ligação ferroviária ao sul de Espanha continua por concretizar
A criação de uma ligação ferroviária moderna ao sul de Espanha é outra das prioridades apresentadas pelo partido. O projeto é apontado como estratégico para reforçar a competitividade económica do Algarve, potenciar o turismo, facilitar a circulação de pessoas e integrar a região nas redes ferroviárias ibéricas e europeias.
“Queremos uma região ligada pela ferrovia, ao aeroporto, aos centros turísticos, ao centro das cidades, a Espanha e a Lisboa”, sublinha Rodrigo Borges de Freitas, defendendo uma região aberta ao mundo através de diferentes meios de transporte.
O CDS-PP Algarve afirma que continuará a defender uma rede ferroviária moderna, eficiente e integrada, considerando que novos investimentos na mobilidade poderão contribuir para a competitividade, a sustentabilidade e a qualidade de vida na região.
A.Pinto / HDF
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