Esta quarta-feira, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, defendeu a criação de medidas diferenciadas para atrair e fixar médicos nas regiões do país onde a falta de profissionais é mais acentuada, identificando o Algarve entre os territórios que necessitam de uma resposta específica.
“Não podemos olhar para todos os hospitais, para todas as zonas do país no mesmo prisma. Tem de haver situações diferenciadas, [e] um olhar especial para algumas zonas do país”, afirmou Carlos Cortes, durante uma visita à Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano.
Embora tenha centrado as declarações nas dificuldades daquela região, o bastonário alargou a preocupação ao Alentejo, Algarve, interior das regiões Centro e Norte e até a algumas zonas urbanas, como Lisboa, particularmente na área da Medicina Geral e Familiar.
Custo da habitação deve pesar nas medidas
Carlos Cortes defendeu que o Ministério da Saúde deve criar um “índice de carência” que permita identificar as zonas onde são necessárias medidas específicas para captar profissionais. Esse indicador deverá considerar fatores como a falta de médicos, o custo elevado da habitação e as dificuldades de acesso aos transportes públicos, problemas que podem dificultar a permanência dos profissionais de saúde em determinadas regiões.
“Por mais moderno, por mais recente e por melhores que possam ser as instalações, se não houver recursos humanos, nomeadamente médicos, mas também de enfermagem, é muito difícil dar uma resposta adequada à população”, alertou.
O responsável apontou como exemplo o Litoral Alentejano, onde cerca de 30% da população não dispõe de apoio nos cuidados de saúde primários, situação que aumenta a pressão sobre as urgências hospitalares.
A Ordem dos Médicos deverá apresentar na sexta-feira, 11 de setembro, um documento com propostas dirigidas ao Ministério da Saúde e ao Governo para reforçar a resposta nas “áreas de baixa densidade populacional”.
Questionado sobre os territórios que poderão beneficiar de uma abordagem diferenciada, Carlos Cortes incluiu expressamente o Algarve entre as regiões onde a escassez de médicos exige atenção específica.
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