Os adeptos ingleses presentes esta quarta-feira no centro de Albufeira passaram da confiança à tristeza, ao verem ao Argentina dar a volta ao resultado e vencer (2-1) a segunda meia-final do Mundial2026 de futebol.
Com a sua equipa em vantagem desde os 55 minutos, a confiança e alegria mantiveram-se até que, aos 84, os ingleses que enchiam bares, pubs e restaurantes na baixa da cidade algarvia viram a Argentina empatar e, minutos depois, já nos descontos, anotar o segundo golo, instalando a desilusão, após gorar a oportunidade de se juntarem à Espanha na final e domingo.
Confiança inglesa antes do pontapé de saída
Antes do pontapé de saída, a confiança era transversal aos adeptos ingleses, que, vestidos a rigor, com o equipamento da sua seleção, esperavam que a Inglaterra repetisse o feito e voltasse a uma final de um Campeonato do Mundo, 60 anos depois da vitória em 1966.
Lucy Harrigton vive nos arredores de Londres, está de férias em Albufeira e disse à Lusa, antes do apito inicial, que este seria “o ano da Inglaterra” e a seleção britânica iria “vencer a Argentina por 2-0”, com golos de Harry Kane e Jude Bellingham.
Theodore Cooper foi outro dos ingleses com quem a Lusa falou na baixa de Albufeira e afirmava, antes do início da partida, que iria ser uma jogo difícil, mas mostrou-se seguro de que, no final, os jogadores da seleção inglesa iriam conseguir travar a genialidade de Lionel Messi, a grande estrela da Argentina, e “vingar” a derrota do Mundial1986, quando o seu país foi eliminado pelos sul-americanos com uma exibição histórica de Diego Maradona.
Entre as centenas de ingleses que animavam a baixa de Albufeira, poucas ou nenhumas camisolas da Argentina se viam na rua, exceção feita para um pequeno grupo de três rapazes, nos quais se incluía Peter Allen, que admitiu à Lusa não ser sul-americano, mas sim irlandês, vestido com as cores da seleção albiceleste, numa afirmação de antagonismo aos vizinhos das ilhas britânicas.
Golo inglês fez explodir a baixa de Albufeira
Sem grandes lances de perigo em qualquer das balizas durante a primeira parte, foi preciso esperar pelo minuto 55 para a primeira grande explosão de alegria, quando Gordon inaugurou o marcador para os ingleses.
A partir daí, qualquer ação defensiva bem-sucedida ou insucesso do ataque sul-americano era também comemorado com estrondo, para alívio dos mais nervosos, como Patrick Sullivan, que confessava à Lusa os seus receios: “já estamos a vencer, mas não podemos recuar, porque se não vamos para trás vamos sofrer”.
“Vamos, Inglaterra!”, gritavam, voltando a festejar pouco antes da pausa para hidratação do segundo tempo, quando o guarda-redes Pickford evitou o golo, com uma defesa que impediu Nico González de empatar para a Argentina.
Após a pausa a meio do segundo tempo, e com a Argentina instalada no último terço do campo, os nervos faziam-se sentir, com muitos adeptos ingleses a desviar o olhar ou a suspirar de alívio quando o perigo rondava a sua baliza.
Reviravolta tardia silenciou os adeptos britânicos
Mas o golo de Enzo Fernández, aos 85 minutos, chegou e silenciou os adeptos britânicos, que viam como o “sonho” da final se complicava, sensação que acabou por se confirmar já passados dois minutos dos 90 regulamentares, quando Lautaro Martínez cabeceou o centro de Messi para o 2-1 e pôs termo à esperança dos ingleses.
“Tivemos tudo para ganhar e deixámos escapar a final nos últimos 10 minutos”, lamentou Ian Brennan, após o encontro, lamentando que, mais uma vez, a Inglaterra tenha ficado às portas da final de um Mundial e tenha sido batida de novo pelos argentinos, 40 anos depois da “Mão de Deus” de Maradona.
- Por Miguel Hugo Cruz, da agência Lusa















