A plataforma cívica e apartidária Algarve pela Palestina associa-se ao Global Movement to Gaza na Marcha Global pela Palestina, marcada para o próximo dia 9 de agosto, numa mobilização internacional que decorrerá em várias cidades do mundo, incluindo Faro.
“De Barcelona a Nova Iorque, de Bogotá a Faro, pessoas com consciência levantam-se novamente para exigir um fim ao genocídio e ao cerco ilegal de Israel a Gaza”, afirma a plataforma em comunicado.
Criticando a “continua inação dos governos europeus — em particular do português, que remete para setembro tomadas de posição, ignorando a presente emergência —”, a plataforma volta a apelar à mobilização popular, organizando uma marcha silenciosa em solidariedade com a Palestina.
A concentração está marcada para as 20:45, na Praça da Liberdade, n.º 2, em Faro, junto à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve. A marcha segue até à Fábrica da Cerveja, na Rua do Castelo, n.º 2, onde, às 21:30, terá lugar uma palestra do historiador Márcio Santos sobre a história e o contexto atual da Palestina. A iniciativa conta com a colaboração da Sociedade Recreativa e Artística Farense.
Segundo dados referidos pela plataforma, desde outubro de 2023, Israel matou “mais de 60.000 palestinianos”, número comparável ao total de habitantes do concelho de Faro. “Um morto em cada 35 pessoas, no espaço de 22 meses”, sublinha a nota. Só entre o final de maio e agosto de 2025, 859 pessoas terão sido mortas ao tentarem recolher alimentos fornecidos pela Fundação Humanitária para Gaza, “a única organização autorizada por Israel a distribuir ajuda humanitária, a conta-gotas e em quantidades ínfimas”.
Os números de feridos ultrapassam os 150.000, referem os mesmos dados, enquanto estimativas das Nações Unidas apontam para mais de 50.000 crianças mortas ou feridas por ataques israelitas.
A plataforma denuncia também a “situação de fome extrema” na Faixa de Gaza: 39% da população passa dias sem comer, mais de 500.000 pessoas enfrentam privação severa de alimentos, e 320.000 crianças com menos de cinco anos estão em risco de desnutrição aguda, sem acesso a água potável, leite em pó ou alimentação terapêutica.
“Israel impede a saída de refugiados, o acesso a cuidados médicos e bloqueia a entrada da imprensa internacional, impossibilitando a documentação do genocídio em curso”, denuncia a Algarve pela Palestina, que sublinha: “o genocídio e a fome não tiram férias”.
A plataforma alerta ainda para a escalada da violência “colonialista” em todo o território palestiniano, incluindo a Cisjordânia, e acusa Israel de manter, desde 1948, “um regime de ocupação ilegal e de apartheid”. Entre as práticas denunciadas estão “limpeza étnica, tortura em centros de detenção ilegais, detenções arbitrárias, execuções extrajudiciais, bombardeamentos a hospitais, ambulâncias, infraestruturas civis e zonas densamente povoadas”.
A Algarve pela Palestina refere que estas ações têm sido alvo de investigações do Tribunal Internacional de Justiça, do Tribunal Penal Internacional, da ONU e de organizações não governamentais, e acusa “vários Estados membros da União Europeia” de conivência com “a falência moral da comunidade internacional”.
A terminar, a plataforma exige: cumprimento da lei internacional e fim do genocídio; abertura de corredores humanitários sob supervisão internacional; entrada segura de profissionais de saúde em Gaza; garantia de salvo-conduto para a Global Sumud Flotilla; cessar-fogo definitivo e fim da ocupação e fim da “normalização” com Israel e da impunidade das suas autoridades.
Leia também: Transporta isto no carro? Prepare-se para multas superiores a 1.500€ e outras consequências graves














