Os dados do Market Report Portugal 2025-2026 da Engel & Völkers revelam que o Algarve é a região com maior peso e diversidade na procura de segunda habitação em Portugal.
De acordo com o estudo, a segunda residência continua a ser um motor estrutural do setor imobiliário nacional, com o Algarve a destacar-se como o destino dominante e com maior variedade de zonas para diferentes perfis de compradores.
A Engel & Völkers refere que “a Quinta do Lago e Vale do Lobo são o patamar exclusivo em território algarvio”, com 60% das aquisições nestas zonas destinadas a segunda residência.

A Comporta surge como a principal alternativa aspiracional ao Algarve, enquanto o Oeste se assume como um mercado em plena transformação e com crescente protagonismo. Cascais mantém também uma procura relevante, embora com maior peso da habitação permanente.
Quinta do Lago e Vale do Lobo destacam-se pela exclusividade
O Algarve continua a ser um destino apelativo para quem procura segunda residência, atraindo compradores nacionais e internacionais. A diversidade do território permite responder a um leque alargado de perfis, desde segmentos premium a mercados mais ligados ao investimento e ao uso sazonal.
Na Quinta do Lago e em Vale do Lobo, 60% das aquisições destinam-se a segunda habitação. Os preços podem ultrapassar os 13.000 euros por metro quadrado e o perfil dos compradores é sobretudo internacional, representando 80% da procura, com destaque para ingleses e irlandeses.
Segundo a Engel & Völkers, as aquisições nestas zonas são, habitualmente, feitas sem recurso a crédito bancário.
Vilamoura também sobressai no mercado algarvio, com uma variação de preço superior a 106,2% em 2025, refletindo a presença de produto mais premium, como moradias com piscina e vista para o mar e apartamentos próximos de campos de golfe.
Já nas zonas de Albufeira e Carvoeiro, 43% das aquisições são destinadas a segunda habitação e 36% a investimento, ficando apenas 21% para habitação permanente. Trata-se, segundo o estudo, do território com maior desequilíbrio a favor do uso sazonal de residência.
Comporta e Oeste ganham peso como alternativas
Fora do Algarve, a Comporta afirma-se como o mercado de segunda residência mais aspiracional, sustentado por três fatores principais: a identidade arquitetónica de luxo discreto, a escassez estrutural provocada por condicionamentos ambientais e a proximidade a Lisboa.
A procura na Comporta está fortemente ligada à segunda habitação e ao investimento, com as transações a registarem uma retoma, nomeadamente em Alcácer do Sal, onde foi reportado um crescimento de 12,3% em 2025.
O Oeste é apontado como o mercado em maior transformação. Antes associado a escapadinhas de fim de semana, é hoje visto como destino estrutural, com 40% das aquisições destinadas a segunda residência.
Nesta região, o perfil de comprador é maioritariamente internacional, com 55% da procura, destacando-se norte-americanos, franceses e alemães. O preço médio da Engel & Völkers situa-se nos 3.103 euros por metro quadrado, posicionando o Oeste como uma alternativa mais competitiva.

Cascais mantém um peso relevante na segunda residência, mas com uma componente de habitação permanente mais elevada, funcionando como um mercado híbrido de lifestyle.
“O mercado de segunda habitação em Portugal continua a demonstrar uma forte capacidade de resiliência. O Algarve mantém-se como principal referência, mas assistimos atualmente ao impulsionamento de zonas como a Comporta e o Oeste, que muito se deve à valorização do estilo de vida por parte dos compradores”, frisa Margarita Oltra, Regional Manager da Engel & Völkers.
“Este é um fator que tem cada vez maior influência no momento de escolher a localização para a segunda residência. O crescimento de regiões que servem de alternativa ao Algarve reforça a atratividade do país junto de compradores internacionais e cativa ainda mais os compradores nacionais”, acrescenta.
O estudo da Engel & Völkers conclui que a procura de segunda residência confirma a crescente sofisticação do mercado residencial em Portugal. Este tipo de habitação deixou de ser apenas um luxo ou uma opção para escapadinhas, passando a refletir escolhas ligadas a estilos de vida específicos.
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