Um sismo de grande magnitude no Algarve poderia afetar de forma diferente várias zonas da região, dependendo da localização do epicentro. A Proteção Civil Regional trabalha há vários anos com cenários de referência para preparar a resposta a uma eventual emergência sísmica e de tsunami.
O tema voltou a ganhar atenção depois do sismo de magnitude 4,1 sentido este domingo ao largo do Algarve, sem danos registados.
Apesar de este abalo não ter causado consequências relevantes, recordou que a região está entre as zonas portuguesas com maior risco sísmico.
Dois cenários em estudo
De acordo com a SIC Notícias, a Proteção Civil Regional trabalha com dois cenários principais. Um deles tem por base um evento semelhante ao terramoto de 1755, que afetou fortemente o sul do país.
O outro cenário considera um sismo com epicentro na falha de Santo Estêvão, em Tavira.
As projeções usadas no simulador apontam, num cenário de grande magnitude, para cerca de dois mil mortos e 30 mil desalojados. Estes dados têm por base um estudo de 2009 e os Censos de 2001.
Dados deverão ser atualizados
Os responsáveis admitem que estes números serão atualizados através de um novo simulador financiado por fundos comunitários.
A nova ferramenta deverá usar informação mais recente, incluindo os Censos de 2021, permitindo uma leitura mais atual da população, da ocupação do território e das infraestruturas existentes.
Até lá, os cenários de referência continuam a servir para planear a resposta de emergência e identificar zonas mais vulneráveis.
Barlavento seria afetado num cenário como 1755
Num cenário semelhante ao terramoto de 1755, as zonas mais afetadas seriam sobretudo Portimão, Lagos e o barlavento algarvio.
Esta parte da região ficaria mais exposta devido à localização provável do epicentro e à possibilidade de efeitos associados ao mar.
Os estudos contemplam também a hipótese de tsunami, tal como aconteceu no século XVIII.
Sotavento em risco se o epicentro fosse em Tavira
Se o sismo tivesse origem na falha de Santo Estêvão, em Tavira, o impacto seria diferente.
Nesse caso, os maiores danos tenderiam a concentrar-se no sotavento algarvio, sobretudo entre Faro e Vila Real de Santo António.
A localização do epicentro é, por isso, determinante para perceber que concelhos poderiam sofrer consequências mais graves.
Zonas críticas junto à água
Entre as áreas identificadas como mais críticas estão zonas junto à Ria de Alvor, ao rio Arade, a Albufeira, Loulé, Faro, Olhão e Vila Real de Santo António.
Estas áreas preocupam não apenas pelo risco sísmico, mas também pela possibilidade de inundação associada a um tsunami.
Em alguns concelhos já existe sinalização específica e têm sido realizados simulacros para preparar a população para uma evacuação rápida.
Poucos minutos para fugir
Segundo a Proteção Civil, entre um sismo e a chegada de uma eventual onda à costa poderão decorrer apenas 10 a 15 minutos.
Este curto intervalo torna essencial que a população saiba reconhecer sinais de perigo, como um abalo forte e prolongado ou um recuo súbito do mar.
Numa situação destas, a recomendação é afastar-se rapidamente da linha de costa e procurar zonas altas, sem esperar por instruções formais.
Estradas e hospitais também preocupam
As autoridades também avaliam o impacto que um grande sismo poderia ter nas infraestruturas.
Os cenários admitem interrupções em troços da EN125 e da Via do Infante, duas vias fundamentais para a circulação no Algarve.
Também são considerados possíveis danos em hospitais e centros de saúde, o que poderia dificultar a resposta dos meios de socorro.
Construção está sob atenção
Especialistas em engenharia de estruturas têm alertado para a importância da fiscalização das construções.
O cumprimento das normas antissísmicas é considerado essencial para reduzir os danos em caso de um grande abalo.
A preocupação aumenta em zonas urbanas mais antigas, em edifícios sem reforço estrutural e em áreas costeiras com maior exposição a tsunami.
Região prepara resposta de emergência
Os cenários usados pela Proteção Civil não significam que um evento desta dimensão vá acontecer em breve, mas servem para preparar meios, rotas de evacuação e procedimentos de resposta.
Num território como o Algarve, marcado por forte pressão turística e elevada ocupação junto à costa, o planeamento torna-se ainda mais importante.
O sismo deste domingo foi ligeiro, mas voltou a lembrar que a preparação para um grande abalo continua a ser uma prioridade numa das regiões mais expostas do país.
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