Entrar em casa e continuar com os sapatos calçados é uma rotina para muitas pessoas. Para outras, retirá-los à porta é um gesto automático. A discussão está longe de ser apenas uma questão de conforto ou de limpeza. Médicos e investigadores alertam que os sapatos podem transportar para dentro de casa bactérias, resíduos e outros elementos presentes nas ruas, levantando dúvidas sobre um hábito que passa despercebido no dia a dia.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o médico Amir Khan defende que retirar os sapatos assim que se entra em casa pode ajudar a reduzir a entrada de substâncias potencialmente indesejadas no ambiente doméstico. Segundo o clínico, esta prática não é apenas uma demonstração de respeito quando se visita a casa de alguém, mas também uma forma de limitar a presença de microrganismos e resíduos que se acumulam nas solas ao longo do dia.
O que os sapatos podem transportar para dentro de casa
Entre os exemplos apontados por Amir Khan está a bactéria E. coli, frequentemente associada a infeções gastrointestinais e do trato urinário. Como animais de estimação e outros animais circulam nas ruas e espaços públicos, as superfícies exteriores podem ficar contaminadas por resíduos biológicos que acabam por aderir ao calçado.
Além das bactérias, os sapatos podem transportar pólen, poeiras e partículas de bolor. Para quem sofre de rinite alérgica ou outras alergias respiratórias, reduzir a quantidade destes agentes dentro de casa pode contribuir para um ambiente mais confortável. A exposição contínua a estas partículas é um dos fatores que pode agravar sintomas em pessoas mais sensíveis.
Uma questão especialmente importante para quem tem crianças
A preocupação aumenta quando existem crianças pequenas em casa. Grande parte do tempo é passada a brincar no chão e o contacto frequente das mãos com a boca aumenta o risco de exposição a substâncias presentes nas superfícies domésticas.
Especialistas na área da saúde ambiental sublinham que esta é uma das principais vias através das quais as crianças entram em contacto com agentes potencialmente nocivos. Quanto menor for a quantidade de resíduos trazidos do exterior, menor será também a probabilidade de exposição.
Outro dos aspetos referidos por investigadores passa pela eventual presença de pesticidas utilizados em jardins, parques ou espaços públicos. Embora muitas destas substâncias se encontrem em concentrações reduzidas, podem ser transportadas pelas solas dos sapatos para o interior das habitações.
Nem toda a sujidade é prejudicial
Apesar dos alertas, Amir Khan lembra que nem toda a exposição a microrganismos deve ser encarada como algo negativo. Existe investigação que sugere que o contacto moderado com determinados micróbios presentes no ambiente pode desempenhar um papel no desenvolvimento e treino do sistema imunitário.
Ainda assim, a recomendação mantém-se simples: evitar trazer para dentro de casa tudo aquilo que pode permanecer acumulado nas ruas, passeios e outros espaços públicos.
Segundo a mesma fonte, um estudo realizado pela Universidade do Arizona identificou mais de 421 mil bactérias associadas ao calçado analisado. Durante a investigação, um grupo de participantes utilizou sapatos novos no exterior durante duas semanas e continuou a usá-los dentro de casa, tendo a E. coli sido uma das bactérias encontradas nas amostras recolhidas.
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