Uma das maiores cadeias de supermercados do Reino Unido está a retirar gradualmente os ovos castanhos da sua gama de marca própria e a substituí-los por ovos brancos. A decisão da Sainsbury’s não está relacionada com a aparência dos ovos, mas sim com o impacto ambiental da produção.
De acordo com o portal ZAP, e segundo a empresa, uma avaliação ao ciclo de vida dos produtos concluiu que os ovos brancos presentes na sua cadeia de abastecimento em 2024 tinham uma pegada de carbono 12,7% inferior, por quilograma, à dos ovos castanhos.
Galinhas mais eficientes
A diferença está nas galinhas que normalmente põem ovos brancos. Estas aves tendem a consumir menos ração para produzir a mesma quantidade de ovos e podem manter-se produtivas durante mais tempo.
Embora estas diferenças pareçam pequenas, podem ter impacto quando aplicadas a uma cadeia de abastecimento de grande dimensão. Menos ração e mais tempo de produção significam uma redução das emissões associadas ao processo.
De acordo com o ZME Science, os ovos brancos já foram comuns na Grã-Bretanha, mas perderam espaço nas prateleiras depois de os consumidores passarem a preferir ovos castanhos nas décadas de 1970 e 1980.
Ovos brancos estavam longe das prateleiras
Durante muitos anos, os ovos brancos foram mais usados na restauração e na indústria alimentar, enquanto os ovos castanhos dominaram o consumo doméstico. A preferência dos consumidores acabou por moldar aquilo que os supermercados colocavam à venda.
Agora, a Sainsbury’s quer reposicionar os ovos brancos como uma alternativa com menor pegada de carbono. A cadeia espera que os consumidores aceitem gradualmente a mudança, apesar do hábito enraizado de associar os ovos castanhos a uma escolha mais tradicional.
A cor da casca, no entanto, não determina por si só a qualidade nutricional do ovo. O que muda é sobretudo a raça ou linhagem da galinha e a eficiência da produção.
Associação fala também em custos
A Associação Britânica de Produtores de Ovos de Galinhas Criadas ao Ar Livre considera que a decisão não deve ser vista apenas como uma medida climática. Segundo a entidade, a maior eficiência destas aves também pode reduzir os custos de produção.
Isso significa que fatores económicos poderão igualmente ter pesado na decisão do supermercado. Para já, não é claro se os ovos brancos vão chegar aos consumidores a preços mais baixos ou se a alteração permitirá aumentar as margens da cadeia.
Há ainda possíveis diferenças ao nível do bem-estar animal. Algumas linhagens comerciais de galinhas de penas brancas apresentam menor risco de bicagem de penas e de comportamentos agressivos.
Mudança pode exigir adaptação
A substituição de ovos castanhos por brancos pode parecer simples, mas os hábitos alimentares são difíceis de mudar. Muitos consumidores compram sempre os mesmos produtos e podem estranhar a alteração numa categoria tão básica.
Ainda assim, a decisão mostra como escolhas aparentemente pequenas podem ter impacto ambiental quando aplicadas em grande escala. O caso dos ovos junta-se a outras mudanças na agricultura e na alimentação motivadas pela redução de emissões.
Um exemplo citado é o arroz. Nos arrozais tradicionais, os campos ficam inundados durante grande parte do ciclo de cultivo, criando condições que favorecem a produção de metano, um gás com forte efeito de estufa.
Alimentação e pegada climática
Novas variedades de arroz e métodos de sementeira direta procuram reduzir parte desse impacto, usando menos água e diminuindo emissões. No entanto, estas mudanças exigem adaptação dos produtores, novos equipamentos e alterações nos mercados.
O mesmo acontece com raças animais ou culturas agrícolas de menor pegada de carbono. A transição pode trazer benefícios ambientais, mas nem sempre é simples ou imediata.
No caso dos ovos, a aposta nos ovos brancos mostra que até produtos comuns do dia a dia podem entrar na discussão climática. Para os consumidores, a diferença pode estar apenas na cor da casca; para os produtores e supermercados, pode representar uma mudança relevante na forma de reduzir emissões.
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