A Tesla voltou a estar sob escrutínio depois de a justiça norte-americana autorizar a reabertura de um processo judicial movido por uma ex-funcionária. Cristina Balan, antiga engenheira da empresa, acusa Elon Musk e a administração da fabricante de automóveis elétricos de retaliação e intimidação, após ter identificado e denunciado uma potencial falha de segurança no Model S.
De acordo com o Computer Hoy, a engenheira terá alertado a equipa interna para o risco de os tapetes do carro interferirem com os pedais, o que, no seu entender, podia comprometer o sistema de travagem.
A denúncia não só terá sido ignorada, como resultou no seu afastamento das funções.
Denúncia ignorada e retaliação alegada
Cristina Balan alega que foi desencorajada a insistir no tema e, posteriormente, pressionada a deixar a empresa.
Segundo a mesma fonte, a denúncia foi feita na sequência de instruções dadas pelo próprio Elon Musk, que incentivava os engenheiros a reportarem diretamente os problemas considerados graves.
Apesar disso, afirma ter sido alvo de perseguição interna e, mais tarde, envolvida num processo disciplinar que a acusava de desvio de fundos, algo que nega categoricamente.
Ameaças à equipa e clima de intimidação
A ex-funcionária revela ainda que membros da sua equipa, alguns com situação imigratória irregular, terão sido ameaçados com deportação caso apoiassem a sua denúncia.
Escreve o Computer Hoy que estas alegações foram agora formalmente admitidas na nova fase do processo, que corre em tribunal nos Estados Unidos.
Num depoimento ao jornal The Times, Balan descreveu Elon Musk como “pura maldade” e “um monstro”, acusando-o de destruir carreiras e silenciar críticas internas à liderança e aos processos de produção.
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Processo relançado após decisão judicial
O processo inicial por difamação e retaliação laboral tinha sido arquivado por questões formais relacionadas com prazos legais.
No entanto, uma nova decisão permitiu a reabertura do caso, o que devolve visibilidade às alegações e volta a colocar Musk no centro de uma polémica que junta questões laborais, segurança automóvel e liberdade de expressão.
Segundo a mesma fonte, Balan quer que o caso sirva de exemplo para outras empresas tecnológicas e que se criem mecanismos mais claros de proteção a denunciantes.
Histórico de polémicas na cultura interna da Tesla
Este não é o primeiro caso em que a Tesla é criticada pela sua cultura organizacional.
Ao longo dos últimos anos, foram tornadas públicas alegações de racismo, despedimentos em massa, excesso de vigilância sobre os trabalhadores e condições de trabalho consideradas insustentáveis.
Refere o The Times que, embora Elon Musk tenha negado muitas destas acusações, os relatos têm sido frequentes e, em vários casos, levaram à abertura de processos judiciais e investigações internas.
Denunciar falhas sem medo de represálias
Para Cristina Balan, o caso representa mais do que uma disputa individual. “Falar abertamente não deveria ser um risco”, afirmou.
A ex-engenheira acredita que a indústria tecnológica precisa de rever os seus mecanismos de resposta a denúncias internas e garantir que quem reporta falhas não é penalizado.
Segundo o Computer Hoy, o novo processo poderá abrir um precedente importante nos Estados Unidos, influenciando futuras decisões judiciais relacionadas com retaliação laboral em grandes empresas tecnológicas.
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