A recomendação viral pode ser resumida numa regra simples para quem compra café no supermercado em Portugal: se no rótulo aparecer a palavra “torrefacto” (ou a expressão “mistura de café torrado com café torrefacto”), está a olhar para café torrado com adição de açúcares, e há especialistas que aconselham a evitá-lo.
O tema ganhou força depois de uma nutricionista e farmacêutica, citada pelo portal espanhol Huffpost, ter alertado para o “torrefacto” e defendido que muitos consumidores não percebem o que estão a levar para casa quando escolhem certas embalagens.
Em termos legais, “café torrefacto” não é um nome vago: em Portugal, o Decreto-Lei define-o como café torrado em grão com adição de açúcares (ou melaço/extrato de alfarroba) durante a torrefação, dentro de limites previstos.
A palavra que deve procurar no rótulo
A palavra-chave é mesmo “torrefacto”. A legislação portuguesa identifica “café torrefacto” e também a “mistura de café torrado com café torrefacto”, isto é, um produto que junta café “normal” (torrado) com café torrado com açúcar, em percentagem variável.
E há um detalhe importante: a lei diz que a denominação de venda deve usar as expressões previstas nas definições legais, ou seja, quando o produto se enquadra nessas categorias, é suposto isso refletir-se na forma como é apresentado ao consumidor.
Na prática, se o objetivo é evitar torrefacto, procure rótulos com “café torrado”/“torra natural” e, quando possível, indicações de qualidade que ajudem a comparar, por exemplo, “100% arábica”, torra média e origem identificada (país/região).
E a questão da acrilamida
Outro ponto que aparece frequentemente nestas discussões é a acrilamida, uma substância que se forma em alimentos quando são cozinhados a altas temperaturas, incluindo no processo de torra e transformação do café.
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) concluiu que a acrilamida nos alimentos pode aumentar o risco de desenvolver cancro para consumidores de todas as idades (conclusão baseada, sobretudo, em evidência de estudos em animais) e recomenda esforços para reduzir a exposição.
Isto não significa que “beber café = cancro”, mas ajuda a perceber porque é que alguns especialistas pedem atenção ao tipo de torra e ao que é adicionado durante o processo, sobretudo quando o consumidor procura opções menos agressivas para o estômago.
O que levar desta história para a compra do dia a dia
Segundo o Huffpost, e se quer uma regra rápida para o supermercado, fica assim: evite “torrefacto” (e as “misturas” que o incluam) quando procura um café mais “limpo” em termos de ingredientes; e prefira embalagens que digam claramente o que está a comprar, incluindo origem e tipo de café.
E desconfie de rótulos confusos ou demasiado “marketing”: se a embalagem não explica bem o que é (ou se a letra útil está escondida), vale a pena comparar com outra marca onde a informação seja mais transparente, porque, neste caso, a diferença pode estar numa única palavra.
















