São pequenas, ocupam pouco espaço na bagagem de mão e, para muitos passageiros, já fazem parte do conjunto de essenciais para uma viagem de longo curso. As meias de compressão têm ganho popularidade entre quem passa várias horas dentro de um avião, sobretudo por ajudarem a contrariar alguns dos efeitos de permanecer sentado durante muito tempo.
A razão está na circulação. Durante um voo prolongado, a imobilidade faz com que o sangue tenha maior tendência para se acumular nas pernas, podendo provocar sensação de peso, desconforto e inchaço. Em determinadas pessoas, períodos prolongados sem movimento estão também associados a um aumento do risco de formação de coágulos sanguíneos. Segundo explica a Pplware, as meias de compressão exercem pressão sobre as pernas e podem facilitar o retorno do sangue em direção ao coração. Não substituem, contudo, outras medidas importantes durante a viagem, como movimentar regularmente as pernas e levantar-se sempre que possível.
Como funcionam as meias de compressão?
Ao contrário de umas meias convencionais, estas peças são concebidas para exercer pressão sobre os pés, tornozelos e pernas. Nos modelos de compressão graduada, a pressão é normalmente maior junto ao tornozelo e vai diminuindo à medida que a meia sobe. O objetivo é ajudar o sangue a regressar das extremidades inferiores, precisamente uma das zonas mais afetadas quando uma pessoa permanece várias horas sentada.
Apesar de a compressão atuar apenas nas pernas, o efeito pretendido é melhorar o retorno venoso, reduzindo a acumulação de sangue e líquidos nessa zona. É também por isso que algumas pessoas sentem menos inchaço e menor sensação de pernas pesadas depois de utilizarem este tipo de meias numa viagem prolongada.
Porque podem ser importantes num voo longo?
Uma das preocupações associadas às viagens de avião de longa duração é a trombose venosa profunda, que ocorre quando se forma um coágulo numa veia profunda, frequentemente nas pernas. Ficar sentado e praticamente imóvel durante várias horas pode favorecer a estase do sangue nas extremidades inferiores. As meias de compressão procuram contrariar precisamente esse efeito, ajudando o sangue a circular.
A utilização deste acessório deve ser vista como uma das várias medidas possíveis. Durante voos longos, é igualmente aconselhável mexer os pés e os tornozelos, contrair os músculos das pernas e levantar-se periodicamente, quando as condições do voo o permitem. Para a maioria das pessoas saudáveis, o risco absoluto de desenvolver uma trombose durante uma viagem continua a ser reduzido. Esse risco pode, contudo, ser superior em passageiros que já apresentem outros fatores predisponentes.
Também podem ajudar quem chega com as pernas inchadas
Nem todos procuram as meias de compressão por receio de uma trombose. Para muitos viajantes, o benefício mais imediato é simplesmente chegar ao destino com menos inchaço nos pés e tornozelos e com uma menor sensação de cansaço nas pernas. Quem sofre de varizes ou insuficiência venosa pode igualmente sentir algum alívio, já que estas condições dificultam o retorno do sangue das pernas para o coração e podem provocar peso, desconforto e edema.
As meias podem ainda favorecer a movimentação dos líquidos acumulados nas extremidades inferiores, embora problemas persistentes de inchaço não devam ser tratados apenas com soluções compradas sem aconselhamento clínico.
Tem diabetes ou problemas circulatórios? Atenção antes de comprar
Apesar de serem vendidas livremente, as meias de compressão não são necessariamente adequadas para todas as pessoas. Passageiros com diabetes, doença arterial periférica, alterações importantes da circulação ou outras condições médicas devem ter especial cuidado. Uma compressão inadequada pode não ser aconselhável em determinados problemas vasculares.
O mesmo se aplica a quem apresenta inchaço persistente, dor nas pernas ou alterações inexplicadas da pele. Nestes casos, é importante perceber primeiro a origem dos sintomas em vez de escolher simplesmente uma meia com maior compressão. Quem já tem indicação médica para usar meias deste género deve também respeitar o nível de compressão recomendado.
Nem todas as meias de compressão são iguais
Este é outro detalhe importante. Uma meia vendida para proporcionar conforto numa viagem não é necessariamente equivalente a uma meia de compressão de grau médico. Existem diferentes comprimentos e níveis de pressão. Algumas chegam apenas abaixo do joelho, enquanto outras sobem até à coxa. Nos modelos graduados, a pressão é deliberadamente maior na zona inferior da perna e diminui progressivamente.
As versões destinadas ao uso geral tendem a exercer uma compressão mais ligeira e são frequentemente procuradas por passageiros que querem simplesmente diminuir a sensação de pernas cansadas ou inchadas. Já quando existe uma condição vascular diagnosticada ou um risco acrescido de trombose, a escolha do nível adequado deve ser feita com aconselhamento profissional.
As meias, por si só, não resolvem tudo
Usar meias de compressão durante oito ou dez horas de voo não significa que o passageiro possa permanecer completamente imóvel durante todo esse período. Sempre que possível, convém mudar de posição, movimentar as pernas e levantar-se algumas vezes ao longo da viagem. Mesmo sentado, fazer movimentos com os tornozelos, levantar e baixar os calcanhares ou contrair os gémeos ajuda a ativar os músculos responsáveis por impulsionar o sangue das pernas.
Para quem vai enfrentar uma viagem longa e costuma chegar ao destino com os tornozelos inchados ou as pernas pesadas, as meias de compressão podem, assim, ser um acessório útil e fácil de transportar. Já no caso de pessoas com antecedentes de trombose, problemas vasculares ou outras condições que aumentem o risco de coágulos, a preparação para o voo deve ser discutida previamente com um profissional de saúde.















