Desde o início do ano foram confirmados nove casos de sarampo em Portugal, um número que voltou a colocar esta doença altamente contagiosa sob os holofotes. Apesar de os registos terem motivado uma atualização das autoridades de saúde, os especialistas sublinham que a situação está longe de representar um cenário de perda de controlo, sobretudo num país onde a vacinação mantém níveis elevados de cobertura.
De acordo com o Notícias ao Minuto, portal informativo generalista, os casos identificados este ano levaram a novas explicações por parte de especialistas sobre os riscos da doença e a importância da vacinação. O virologista Pedro Simas, diretor do Centro de Investigação Biomédica e docente na Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, considera que estes números devem ser encarados como um sinal de vigilância reforçada e não como um indício de um surto generalizado.
Uma das doenças mais contagiosas que existem
O sarampo é provocado por um vírus e continua a ser apontado pela comunidade científica como uma das doenças infeciosas com maior capacidade de transmissão. A infeção manifesta-se habitualmente através de febre alta, tosse, vermelhidão ocular e pequenas manchas brancas na boca. Numa fase posterior surgem manchas características na pele, que tendem a espalhar-se a partir da face para o restante corpo.
A transmissão ocorre por via aérea, através de gotículas respiratórias libertadas quando uma pessoa infetada tosse ou espirra. A elevada capacidade de contágio faz com que a simples permanência num espaço onde esteve alguém infetado possa ser suficiente para originar novos casos.
Embora a maioria das infeções tenha uma evolução favorável, a doença pode provocar complicações sérias. Entre as situações descritas pelos especialistas encontram-se pneumonias bacterianas e, em casos raros, inflamações cerebrais. Em determinadas circunstâncias, a infeção pode mesmo ser fatal.
Quem corre mais riscos
Os grupos considerados mais vulneráveis incluem bebés com menos de um ano, que ainda não receberam a vacinação prevista, grávidas, pessoas imunodeprimidas e indivíduos sem proteção vacinal. Segundo Pedro Simas, o principal fator de risco continua a ser a ausência de vacinação, uma vez que as pessoas com o esquema vacinal completo beneficiam de uma proteção muito elevada.
Para além disso, a doença não afeta apenas crianças. Qualquer pessoa que não possua imunidade pode ser infetada, independentemente da idade. Já quem teve sarampo anteriormente desenvolve, em regra, uma imunidade duradoura.
A principal forma de prevenção continua a ser a vacina VASPR, conhecida como vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a papeira e a rubéola. Integrada no Programa Nacional de Vacinação, é administrada gratuitamente em Portugal e apresenta uma eficácia próxima dos 97% após a toma das duas doses recomendadas.
Os especialistas lembram que, devido à enorme capacidade de transmissão do vírus, é necessária uma cobertura vacinal superior a 95% para impedir a sua circulação e proteger quem, por razões médicas, não pode ser vacinado. Segundo a mesma fonte, os nove casos registados este ano estão maioritariamente associados a pessoas não vacinadas ou a infeções importadas do estrangeiro. A mesma fonte destaca ainda que os pais das crianças com vacinação completa podem encarar a situação com tranquilidade, já que a proteção conferida pela vacina continua a ser a principal barreira contra a doença.
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