O café faz parte da rotina de milhões de pessoas e continua a ser uma das bebidas mais estudadas pela comunidade científica. Quando consumido com moderação, tem sido associado a vários benefícios para a saúde, graças à presença de compostos antioxidantes e outras substâncias bioativas. No entanto, o método de preparação pode influenciar as características da bebida e, no caso do café em cápsula, há um pormenor que tem vindo a despertar a atenção de alguns especialistas.
De acordo com a Women’s Health, publicação especializada em saúde e bem-estar, a popularidade do café em cápsula deve-se sobretudo à conveniência e rapidez de preparação. Ainda assim, os especialistas alertam que a forma como este tipo de café é produzido e consumido pode levantar algumas questões que merecem ser conhecidas pelos consumidores, sem que isso signifique a existência de um risco elevado para a saúde.
Um composto que permanece no interior da cápsula
Apesar de o café ser frequentemente apontado como uma bebida benéfica, nem todos os métodos de preparação produzem exatamente o mesmo resultado. Um dos fatores analisados pelos especialistas é a presença de furano, um composto volátil que se forma durante o processo de torrefação dos grãos de café.
Segundo Manuel Viso, especialista em hematologia e hemoterapia, este composto tende a dissipar-se naturalmente quando o café é preparado através de métodos como o filtro ou a prensa francesa. Nas cápsulas, porém, a situação é diferente. Como se trata de um sistema fechado até ao momento da extração, parte do furano permanece retida no interior e acaba por chegar à chávena.
O furano é considerado uma substância potencialmente cancerígena, mas o especialista faz questão de contextualizar o seu impacto. De acordo com as explicações citadas pela publicação, seria necessário consumir mais de 30 cápsulas por dia para que pudesse existir um risco efetivamente relevante para a saúde. Por essa razão, os especialistas recomendam prudência na interpretação destes dados e afastam cenários alarmistas relacionados com o consumo habitual desta bebida.
Ainda assim, quem procura reduzir ao máximo a exposição a este composto pode optar por métodos alternativos. O café de filtro e o expresso preparado a partir de grão moído permitem que uma parte significativa do furano seja libertada durante a preparação, reduzindo a quantidade presente na bebida final.
A questão do alumínio continua a gerar dúvidas
Outro dos temas frequentemente associados ao café em cápsula está relacionado com o alumínio utilizado em alguns destes produtos. Ao longo dos últimos anos, a possibilidade de partículas do metal passarem para a bebida gerou debate entre consumidores e especialistas.
Contudo, as evidências disponíveis apontam para um cenário mais tranquilizador. As cápsulas possuem um revestimento interno concebido para impedir o contacto direto entre o alumínio e o café. Dessa forma, é reduzida a possibilidade de migração de partículas para a bebida.
Os estudos científicos analisados e as avaliações realizadas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos têm concluído que o sistema utilizado nas cápsulas evita problemas associados à presença de alumínio. Ainda assim, os especialistas recomendam que estas não sejam reutilizadas nem sujeitas a temperaturas superiores às previstas pelos fabricantes.
A quantidade consumida também continua a ser um fator determinante. Quatro cafés por dia são geralmente apontados como suficientes para beneficiar das propriedades associadas à bebida sem exceder os níveis considerados moderados.
O consenso entre os especialistas parece recair sobretudo na qualidade da matéria-prima e na forma de preparação. O café em grão, especialmente quando sujeito a uma torrefação mais ligeira, preserva melhor algumas das suas propriedades naturais. Segundo a Women’s Health, o café filtrado e o expresso preparado com grão moído continuam a surgir entre as opções mais valorizadas do ponto de vista da qualidade, embora o café em cápsula permaneça uma alternativa prática e considerada segura quando
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