O Open Studios Faro regressa entre 8 e 11 de outubro para a sua 6.ª edição, reunindo durante quatro dias mais de 80 artistas e o público num percurso que atravessa ateliers, galerias, ruas, associações, igrejas e outros espaços da cidade.
A programação arranca na quinta-feira, dia 8, às 17:00, com a inauguração de “Esta Rua, Outra Rua”, instalação fotográfica de Vasco Célio na Rua Ferreira Neto, e prolonga-se até domingo, propondo uma descoberta simultânea da criação artística e da própria cidade.

Criado em 2019, o Open Studios Faro procura abrir ao público os locais onde a arte é produzida, permitindo conhecer artistas, acompanhar trabalhos concluídos ou ainda em construção e contactar com técnicas, materiais e processos que normalmente ficam fora do circuito expositivo.
No sábado e no domingo, os estúdios estarão abertos gratuitamente entre as 10:00 e as 13:00 e das 14:00 às 18:00, sendo também possível integrar visitas guiadas.
Segundo a organização, não é necessário qualquer conhecimento prévio sobre arte contemporânea nem seguir um percurso definido. Cada visitante poderá construir o próprio itinerário, numa proposta dirigida tanto ao público habitual das artes visuais como a famílias, residentes, visitantes e curiosos.
“O Open Studios Faro nasceu da vontade de aproximarmos artistas e público. Encontrar uma obra no lugar onde acontece permite descobrir o seu processo e conversar com quem a cria, e esse continua a ser o cerne do projeto. Mas em cada edição procuramos ir mais além, o roteiro dos estúdios é apenas um ponto de partida para novas intervenções, exposições, ações ou workshops, criando outras formas de encontro e pensamento, ao mesmo tempo que alcançamos diferentes públicos”, explica Toma Svazaite, um dos responsáveis pela organização.
“Queremos que tanto quem acompanha arte contemporânea como quem nunca entrou num atelier sinta que pode entrar, participar e deixar-se surpreender”, acrescenta.
Uma cidade em transformação vista através da arte
A edição de 2026 parte também das mudanças que atravessam Faro. Edifícios, usos e formas de habitar transformam-se, enquanto pessoas, práticas, relações e lugares continuam a contribuir para a identidade da cidade.
Sem procurar fixar uma imagem nostálgica, o Open Studios Faro propõe olhar para aquilo que permanece vivo e em transformação, revelando dimensões da cidade que, segundo a organização, não cabem apenas numa imagem de postal.
A programação começa com “Esta Rua, Outra Rua”, de Vasco Célio, concebida a partir de um lugar prestes a sofrer alterações e centrada em quem o atravessa e naquilo que permanece quando a cidade muda.
Na sexta-feira, às 17:00, a GAMA RAMA recebe a inauguração de “O Jardim que Não Vemos”, de Annegret Kellner, uma exposição que dirige a atenção para aquilo que permanece fora do campo imediato da perceção.
Velas pintadas, uma nuvem efémera e arte sonora
Ao longo dos quatro dias, a relação entre criação, cidade e participação assume diferentes formas. No Ginásio Clube Naval de Faro, Ângelo Gonçalves promove “Pintar À Vela”, experiência colaborativa destinada a famílias, na qual as velas intervencionadas serão posteriormente içadas em embarcações que navegarão pela Ria Formosa.
A criação coletiva estará também no centro de “Crochet Fora do Comum”, de Rita Kroh, projeto inspirado na poesia de António Ramos Rosa e que transforma o crochet num instrumento de encontro e participação.
Outro dos momentos previstos é “Nimbus”, de Berndnaut Smilde, que fará surgir uma das suas nuvens no interior da Torre da Horta dos Cães. Na Ermida de Santo António do Alto, Mateus Verde apresenta “Diálogo”, proposta de arte sonora que cruza espaço, escuta e paisagem sonora.
A ligação entre arte, tecnologia e ofício surge também em “DATA”, instalação tipográfica interativa e imersiva de Nuno Filipe Martins, apresentada no INTERFACE – Laboratório de Tradução Digital do CIAC/Universidade do Algarve.
Teresa Horta Conceição e Luisa Duarte desenvolvem, por sua vez, uma residência artística a partir da técnica tradicional de Arraiolos, aproximando práticas contemporâneas e saberes artesanais.
O programa inclui ainda “Superfície Viva”, de Márcia Sousa e Margarida Mendes, uma colagem ao vivo numa fachada que aborda a reativação simbólica de um bairro marcado pelo desgaste urbano, e Faro Road Map, criação comunitária orientada por Halina Magdalena Ekberg.
Museu abre reservas e SRAF volta a receber a comunidade
O processo criativo ganha particular destaque no sábado e no domingo, com visitas especiais às reservas do Museu Municipal de Faro e ao gabinete de restauro, orientadas pela restauradora-conservadora Susana Paté. A iniciativa permitirá aceder a espaços habitualmente excluídos do circuito regular de visita.
No domingo, às 16:00, a Galeria Municipal Trem recebe a conversa “O Processo É Obra”, com Ana André, Edgar Massul, Gustavo Jesus, João Serrão e Vasco Célio, moderada por Patrícia Dourado. O debate incidirá sobre aquilo que antecede e ultrapassa a obra concluída, desde experiências e escolhas a materiais, desvios, erros e tempo.
“Entrar num atelier, conversar com um artista, acompanhar o processo, participar na construção de uma obra ou encontrar arte num lugar inesperado são diferentes formas de diminuir a distância entre criação e público. No OSF, a arte não é apenas algo que se observa: é algo que se procura, se encontra e se vive”, afirma Daniela Garcia.
O encerramento está marcado para domingo, às 19:00, na Sociedade Recreativa Artística Farense (S.R.A.F. – “Os Artistas”), espaço histórico da vida cultural e associativa de Faro que volta a abrir portas depois de vários anos encerrado para obras de reabilitação.
A 6.ª edição do Open Studios Faro conta com produção e curadoria da Na Mouche – Associação Cultural, através de Daniela Garcia, Miguel Neto e Toma Svazaite, e com apoios do Município de Faro e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve).
A programação está disponível aqui.
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